Celebrada anualmente em junho, a Semana do Meio Ambiente mobiliza instituições de ensino, pesquisa e sociedade civil em torno da reflexão sobre os desafios ambientais contemporâneos e da construção de soluções sustentáveis para o futuro. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), a data ganha destaque por meio de uma programação diversificada que reúne debates científicos, ações de extensão e projetos de pesquisa voltados ao enfrentamento da crise climática e à preservação ambiental.
As iniciativas dialogam com ações institucionais permanentes de sustentabilidade e conscientização ambiental da comunidade universitária, como as publicações elaboradas pela Seção de Articulação de Ações de Sustentabilidade da Pró-Reitoria de Extensão, elaboradas no âmbito do Plano de Logística Sustentável (PLS-UFF) e da Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), além da parceria com a Companhia de Limpeza de Niterói (CLIN) no projeto de gestão de resíduos da Reitoria e do Restaurante Universitário. A ação cria um fluxo contínuo de reciclagem, fortalecendo a sustentabilidade nessas unidades, gerando renda e valorizando o trabalho dos catadores locais.
A atuação da UFF na área da sustentabilidade é reconhecida nacionalmente. A universidade foi certificada com o Selo ODS Educação 2025, concedido pelo Instituto Selo Social em reconhecimento às iniciativas institucionais desenvolvidas em alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030. A chancela destaca o compromisso da UFF com a promoção de uma educação de qualidade, inclusiva e sustentável, especialmente em relação ao ODS 4 — Educação de Qualidade.
A ciência da UFF diante da emergência climática
Projetos de pesquisa e extensão desenvolvidos na UFF demonstram o alinhamento institucional aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e às metas globais de enfrentamento à crise climática. Na prática, a universidade contribui para a agenda ambiental por meio de uma ampla rede que une inovação científica, impacto social e formação cidadã.
Entre as iniciativas recentes, destacam-se pesquisas como o Inventário da Degradação do Solo na Zona Costeira do Rio de Janeiro, desenvolvido pelo Departamento de Análise Geoambiental da UFF. Utilizando imagens de satélite, sensoriamento remoto e sistemas de informação geográfica, a pesquisa analisou quatro décadas de transformações nas paisagens litorâneas fluminenses, identificando áreas degradadas e propondo estratégias de gestão ambiental.
A inovação sustentável também está presente em pesquisas que reaproveitam resíduos sólidos. Um dos estudos recentes da universidade utiliza impressão 3D para transformar copos descartáveis em materiais aplicados a análises laboratoriais, promovendo soluções mais sustentáveis para as áreas da saúde e do meio ambiente.
No campo das mudanças climáticas, o projeto Riskclima monitora eventos climáticos extremos em todo o país, analisa seus impactos sociais e propõe soluções para mitigação de riscos, com atenção especial às populações tradicionais da Amazônia.
A universidade também teve papel fundamental na elaboração dos Planos Municipais de Redução de Riscos de Desastres (PMRR) de Niterói e Angra dos Reis, em parceria com prefeituras e o Ministério das Cidades. O trabalho mapeou áreas vulneráveis, propôs medidas preventivas contra deslizamentos e inundações e contou com participação ativa das comunidades locais. Em Niterói, foram identificadas 15 comunidades em situação de risco; em Angra dos Reis, o plano contemplou 35 comunidades e possibilitou a captação de recursos para obras de contenção.
Outras pesquisas e ações extensionistas reforçam esse compromisso institucional. Entre elas, estão estudos que utilizam cascas de coco-verde como biocarvão magnético para o tratamento de águas contaminadas e pesquisas que utilizam inteligência artificial para prevenir e mitigar os efeitos de chuvas extremas no estado do Rio de Janeiro.
A universidade também atua em iniciativas de educação ambiental e economia circular, como projetos desenvolvidos na Reserva Extrativista Marinha de Itaipu e o apoio a startups de impacto socioambiental, a exemplo do Reciclotron, voltado à reciclagem de resíduos eletrônicos, e do Omìayê, que transforma óleo de cozinha usado em sabão biorremediador para saneamento comunitário.
Já preservação, uso responsável e acesso universal à água potável são temas do Projeto IAguas, desenvolvido pela UFF em parceria com outras instituições e com apoio da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). A iniciativa utiliza modelos de inteligência artificial para auxiliar as operações das Estações de Tratamento de Água (ETAs) da Bacia do Rio Guandu, por meio de análises e previsões sobre a qualidade da água captada no estado do Rio de Janeiro.
Ao longo das próximas semanas, a universidade promoverá uma série de atividades voltadas à temática socioambiental, ampliando o diálogo entre ciência, sustentabilidade e sociedade. A programação completa está disponível na página: www.uff.br/eventos .