A Gestão da UFF, representada pelo vice-reitor professor Fabio Passos, realizou nesta quinta-feira uma reunião com a Associação dos Docentes (ADUFF) para tratar de pautas relacionadas aos docentes da universidade. O encontro discutiu temas como auxílio-transporte, uso do nome social em registros internos, progressões na carreira, acesso de aposentados ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e o ingresso de docentes negros nos concursos públicos da instituição.
No debate sobre o auxílio-transporte, foram compartilhadas informações sobre as mudanças na forma de controle e pagamento do benefício estabelecidas pela Instrução Normativa MGI nº 71/2025. A atualização trouxe novos procedimentos, mas não reduziu o número de auxílios pagos aos docentes. Também foi discutida a situação de servidores ativos com mais de 65 anos, que utilizam transporte intermunicipal mesmo com direito à gratuidade. Para esses casos, já existe processo específico no SEI que permite a solicitação do benefício.
Outro destaque da reunião foi o avanço da UFF na adoção do nome social em documentos e sistemas internos. A universidade já possui regulamentação própria e processos no SEI que possibilitam a inclusão do nome social por servidores e estudantes, visando assegurar que essa informação seja incorporada em documentos e sistemas institucionais. Desde 2024, um grupo de trabalho vem mapeando as necessidades de ajustes em formulários e procedimentos para garantir que a implementação ocorra de maneira ampla e consistente. A partir de 2026, a nova versão do sistema (5.0) será instalada e trará essa funcionalidade de forma integrada, contemplando todos os setores administrativos.
As progressões na carreira docente também foram discutidas. A Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD) apresentou os encaminhamentos em andamento para adequação às mudanças legais mais recentes. Um grupo de trabalho finaliza a minuta de resolução que unificará as normas internas sobre progressões e promoções até a classe C (Associado), com previsão de encaminhamento ao Conselho na próxima semana. Após a aprovação, está prevista uma força-tarefa do DAP para agilizar a implantação dos processos já aptos às novas regras.
Também foi levantada a necessidade de retomar o debate sobre os critérios de promoção à classe E (titular), especialmente em relação às dificuldades de docentes sem vínculo com programas de pós-graduação. Nesse sentido, o Grupo de Trabalho já existente, que analisa o tema, firmou o compromisso de se reunir com a ADUFF para dar continuidade ao diálogo e avançar na pauta.
O acesso de aposentados ao SEI também foi tema da reunião, com a apresentação de caminhos existentes para que docentes que não mantêm vínculo ativo possam acompanhar processos administrativos. O sistema, desenvolvido em âmbito nacional, desenvolvido pelo TRF4, funciona a partir do vínculo de cada usuário, mas a UFF disponibiliza alternativas como como o acesso como usuários externo, requerimento pelo protocolo digital ou presencial em uma unidade protocolizadora e a ferramenta de pesquisa pública, além da possibilidade de acesso em casos de participação em atividades institucionais. A comissão responsável segue avaliando medidas para tornar essas possibilidades ainda mais simples e acessíveis.
Por fim, foi discutida a contratação efetiva de docentes negros nos concursos na UFF. A universidade adota, desde 2020, uma política efetiva e inovadora de reserva de vagas para ingresso de docentes negros, mas concorda com a necessidade de ampliar os debates e de fortalecer estratégias para que as políticas alcancem resultados ainda mais efetivos.
A coordenadora de Equidade e Inclusão da Pró-Reitora de Assistente Estudantil, Erika Frazão, destacou que esse avanço depende não apenas de normas, mas também de um compromisso coletivo da comunidade acadêmica, do movimento negro e do sindicato para promover diálogos internos e iniciativas que ajudem a superar barreiras ainda existentes de forma que possamos efetivamente preencher todas as vagas ofertadas.
Nesse sentido, a Proaes, junto à gestão e à Assessoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (AFIDE), tem proposto e ofertado cursos de letramento racial, além de realizar seminários e pesquisas sobre a implementação da lei de cotas em todos os segmentos da universidade. Foi feito ainda o convite para que a ADUFF some forças a essas atividades, reforçando o compromisso com uma universidade mais democrática e antirracista.


