Gestão da UFF recebe Comando Local de Greve do Sintuff para dialogar sobre o movimento paredista da categoria
A Administração Central da Universidade Federal Fluminense (UFF) realizou, na quarta-feira (25), uma reunião com representantes do Comando Local de Greve do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFF (CLG-Sintuff) e da Direção do Colégio Universitário Geraldo Reis (Coluni), representados pela diretora, Natália Barbosa, e o vice-diretor, Carlos Aguilar, com o objetivo de manter um canal permanente de diálogo e construir encaminhamentos sobre temas operacionais relacionados à greve das servidoras e dos servidores técnico-administrativos (TAEs). Pela gestão também estiveram presentes, o pró-reitor de Planejamento (Proplan), Julio Andrade; a pró-reitora de Assuntos Estudantis (Proaes) , Alessandra Barreto; a pró-reitora de Gestão de Pessoas (Progepe), Aline Marques; a superintendente de Comunicação Social (SCS), Marina Gontijo; e a chefe de Gabinete do Reitor, Laura Maciel.
Na primeira reunião realizada após a instalação do CLG, a Administração da UFF manifestou seu respeito ao direito de greve e reiterou seu apoio à reestruturação da carreira dos TAEs e a importância do acordo de greve feito em 2024, ponderando, no entanto, sobre a importância de se preservar a continuidade dos serviços essenciais definidos pela Lei de Greve e outros considerados prioritários devido ao impacto direto para a comunidade acadêmica.
As pessoas presentes manifestaram acordo sobre a importância do diálogo e que a sua construção seria a partir dos pontos de pauta definidos na ata de 21/03/2024, lida durante a reunião, que elenca as propostas de atividades essenciais. Nesse sentido, também ficou definido um cronograma de reuniões semanais sobre pautas pré-definidas entre o comando de greve e gestores responsáveis pelos setores, com participação do reitor.
Acesse a ata da reunião clicando aqui.
Entre os pontos defendidos pela gestão universitária está, em primeiro lugar, a manutenção da alimentação nos Restaurantes Universitários e no Coluni, considerada medida central para garantir a permanência estudantil e a proteção de estudantes em situação de vulnerabilidade. Também foi destacada a necessidade de preservar a continuidade do pagamento de auxílios, a realização de perícias médicas e o avanço dos procedimentos preparatórios para a implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), resguardando direitos e evitando impactos administrativos e funcionais.
A gestão ressaltou a importância de assegurar os pagamentos de assistência estudantil (bolsas e auxílios) e o funcionamento de serviços considerados essenciais no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap). Como alinhado na reunião, a Administração Central encaminhou ao sindicato um documento em que define os serviços essenciais e apresenta outras atividades para negociação, voltadas à garantia de direitos.
Clique aqui e confira a íntegra do documento com as propostas.
Sistemas de gestão
Conforme esclarecimento da Progepe sobre os sistemas Petrvs e Velti, a impossibilidade de homologações em lote, conforme inicialmente previsto no acordo de 2024, decorreu de limitações operacionais e da necessidade de preservar direitos individuais dos servidores. O procedimento exige tratamento manual e individualizado, realizado em conjunto com a Superintendência de Tecnologia da Informação (STI), a fim de evitar prejuízos a trabalhadores que não aderiram à greve ou que se encontram em situações específicas, como licenças médicas e outros afastamentos legalmente assegurados.
Superado esse ponto, ficou pactuado que o registro dos dias não trabalhados será realizado apenas após o encerramento da greve, a exemplo do que foi adotado no último movimento paredista. Ao final da paralisação, os dados serão consolidados e encaminhados à Progepe para lançamento no sistema, preferencialmente em lote, com a justificativa “compensação de trabalho represado”, caso haja viabilidade técnica no sistema, garantindo tratamento uniforme e transparência no processo.
Notificação do MPF sobre suspensão de alimentação no Coluni
Em relação ao Coluni, o reitor esclareceu que enviou um ofício ao Sintuff dando ciência da denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal e que encaminhou o Ofício nº 186/2026/GABPRM5-PCCB notificando sobre a instauração da Notícia de Fato nº 1.30.005.000061/2026-80, a qual solicita informações sobre “manutenção de refeições completas” bem como “do funcionamento dos setores de Terapia Ocupacional, Psicologia, Serviço Social e Orientação Educacional” no Coluni. Foi explicado, ainda, que a comunicação da Direção do colégio às famílias ocorreu em razão de obrigações legais vinculadas ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e da necessidade de assegurar o cumprimento do calendário letivo, considerando, principalmente, o número de estudantes em situação de vulnerabilidade.
Serviços essenciais e prioritários
Entre as propostas registradas pela gestão da UFF, constam a manutenção de nomeações e posses de docentes, inclusive substitutos, e a manutenção da publicação de atos oficiais no Boletim de Serviço, a fim de não inviabilizar direitos trabalhistas; o funcionamento do GT UFF de Reconhecimento de Saberes e Competências; a continuidade das atividades do Huap a partir de escalas de trabalho construídas pelos servidores e apresentadas às chefias; e a preservação de serviços prioritários voltados a estudantes com deficiência.
A greve dos servidores técnico-administrativos da UFF acompanha a agenda nacional do movimento liderado pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra). A UFF reafirma seu compromisso com o respeito às reivindicações, a escuta qualificada e a busca de soluções pactuadas, preservando direitos e assegurando o funcionamento das atividades essenciais à comunidade universitária.

