A professora do Instituto de Biologia e do Programa de Pós-Graduação em Neurociência da UFF, Adriana Melibeu, acaba de lançar o livro “Mulher, vá fazer um sanduíche! – doutoramento no exterior e vivências acadêmicas”. A obra foi organizada juntamente com os pesquisadores Valéria Borges, da Fundação Oswaldo Cruz da Bahia, e Vladimir Borges, egresso do PPG Neurociências da UFF e integrante da Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro, e reúne depoimentos de alunas de doutorado que fizeram parte de suas teses no exterior.
A obra é fruto do projeto Meninas nas Ciências, desenvolvido por Adriana e outros pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O lançamento aconteceu nesta última terça-feira (04) na Livraria EDUFF, no Campus Gragoatá. O livro contém relatos escritos entre os anos de 2024 e 2025 de mulheres pesquisadoras que viveram a experiência do doutorado sanduíche. O material está disponível gratuitamente, acesse por este link.
Adriana fala que o objetivo do livro é inspirar outras mulheres a fazerem doutorado sanduíche. “Minha ideia é que esse compilado de relatos funcione como registro de época e referência para futuras pesquisadoras. Seu conteúdo deve ser considerado em diálogo com as políticas públicas e normativas do período em que os depoimentos foram escritos”. Além disso, a pesquisadora explica que os relatos presentes no livro contribuem para refletir sobre os desafios e as oportunidades enfrentadas por pesquisadoras brasileiras em contextos internacionais.
“A igualdade de gênero na ciência ainda não é um ponto de chegada. Por isso, considero iniciativas como esta obra essenciais. “Mulher, vá fazer um sanduíche!” é, para mim, tanto um convite quanto uma reflexão: um convite para que mais mulheres ocupem esses espaços de produção acadêmica no exterior e uma reflexão sobre como essas vivências podem transformar nossa forma de ver a ciência e, também, de nos ver pertencentes a este mundo”, compartilha.
Adriana frisa que os depoimentos da obra contribuem para a ruptura do estereótipo de que uma experiência internacional é algo reservado a poucos. “Ao ler experiências reais, que mostram não só os obstáculos, mas também as facilidades, as novas visões de mundo e as novas possibilidades que surgem com essas experiências, que as atuais e futuras profissionais possam se ver neste cenário. O fomento ao doutorado-sanduíche é uma ferramenta valiosa que democratiza o acesso à vivência acadêmica no exterior, ampliando horizontes pessoais e profissionais”.
A docente destaca que o propósito com esta obra é registrar e compartilhar trajetórias, transformando experiências individuais em referências coletivas e em memória institucional. “Esses relatos preservam um registro vivo das ações, parcerias e políticas que têm permitido o avanço da internacionalização e da equidade de gênero na pós-graduação. Queremos que outras pesquisadoras se reconheçam nessas narrativas e saibam que elas também podem estar lá — ocupando, com dedicação, preparo e consciência, lugares de produção científica e cultural no mundo”.
O lançamento do livro marca a importância de iniciativas que fortalecem a presença e a visibilidade das mulheres na ciência e na produção acadêmica. “Acredito que se eu tivesse lido um livro como este no início da minha trajetória acadêmica, talvez tivesse encontrado coragem mais cedo para me lançar em experiências fora do país. Na minha época, os programas de internacionalização eram escassos e o sentimento de que as oportunidades eram apenas para um grupo seleto de pesquisadores, do qual eu não me via pertencente, predominava”, disse Adriana.
Por fim, a professora ressalta que projetos como este são fundamentais para inspirar novas gerações. “É indispensável que essas narrativas cheguem às salas de aula do ensino fundamental e médio, bem como às comunidades fora dos muros universitários. Em outra frente do nosso projeto – Meninas nas Ciências – ao entrevistarmos pesquisadoras e divulgarmos suas histórias, ouvimos com frequência que, em suas próprias comunidades, as que saíram do País são vistas como exceções, e não como exemplos alcançáveis. Mudar essa percepção é, em última instância, o que confere sentido a iniciativas como esta: mostrar que o lugar das mulheres na ciência é legítimo, possível e necessário”, conclui.
