A Administração Central da Universidade Federal Fluminense (UFF) realizou, nesta sexta-feira (20), a quarta reunião com representantes do Comando Local de Greve do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFF (CLG-Sintuff), com objetivo de retomar o diálogo sobre o funcionamento de serviços prioritários durante a paralisação dos servidores técnico-administrativos (TAE). Participaram do encontro o reitor da UFF, professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, e a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Alessandra Barreto.
O ponto central da pauta foi a devolutiva do CLG sobre as propostas da gestão acerca dos serviços de alimentação no Restaurante Universitário (RU), moradia e no Colégio Universitário Geraldo Reis (Coluni). A Administração foi informada de que, após reunião do movimento com a equipe de nutrição e votação em assembleia, a proposição de fornecer um turno de refeições no RU foi rejeitada, bem como foi mantida a oferta de lanche e colação no Coluni. No entanto, houve acordo para o início de fornecimento de refeições para os estudantes da moradia estudantil de Niterói a partir do dia 30 de março, e manutenção da entrega de gêneros para as moradias de Angra dos Reis e Rio das Ostras.
Diante da recusa da proposta da gestão sobre a reabertura do RU em um turno durante semana, a Reitoria reforçou a essencialidade do serviço de alimentação, principalmente para a permanência de discentes em situação de vulnerabilidade social que são impactados diretamente pelo fechamento do RU. A gestão ressaltou ainda que apresentou a proposta para reabertura do RU desde a primeira reunião, no dia 25 de fevereiro, e que somente agora, na quarta reunião, recebeu, pela primeira vez, a informação sobre a posição da equipe de nutrição afirmando que essa proposta não garante o exercício do direito de greve.
A gestão reitera que a apresentação de forma transparente e detalhada das informações e decisões com agilidade é imprescindível para a manutenção do diálogo profícuo, visando a construção conjunta de propostas e evitando a criação de impasses ou a demora na construção de alternativas para a negociação entre as partes.
Como encaminhamento principal, a Reitoria apresentou imediatamente uma contraproposta com objetivo de encaminhar uma solução para a retomada do serviço de alimentação. A contraproposta consiste no funcionamento parcial do RU em um turno, durante quatro dias da semana, com quantitativo limitado de refeições por dia, a partir dos parâmetros adotados na greve de 2024, a ser apresentada para a equipe de nutrição pelo Comando local de greve e deliberada pelo movimento em sua próxima assembleia, no dia 24 de março. A medida busca viabilizar a retomada parcial do serviço com a maior brevidade possível, a partir do planejamento operacional e das escalas de trabalho da equipe que garantam o exercício do direito à greve.
Durante a reunião, também foram discutidos aspectos operacionais e técnicos relacionados à eventual retomada do restaurante, com destaque para o informe da gestão sobre a conclusão das obras de manutenção no RU, incluindo ajustes estruturais e procedimentos de higienização e segurança, o que viabiliza o retorno imediato às atividades, tão logo haja sinalização positiva do sindicato. Nesse sentido, o CLG indicou que seguirá a interlocução com as nutricionistas no âmbito do movimento, para posterior deliberação em assembleia.
Por fim, foram abordadas as solicitações de informação e manifestações recebidas pela gestão, por meio dos canais institucionais formais, encaminhadas por órgãos públicos, parlamentares e membros da comunidade escolar, a respeito da segurança alimentar e dos impactos da interrupção dos serviços de alimentação no Coluni. Diante da necessidade de prestar esclarecimentos adequados, ficou acordado que a Administração encaminhará essas demandas ao CLG-Sintuff para conhecimento e tratamento dessas demandas, sem prejuízo do dever institucional da UFF de responder às solicitações recebidas, assegurando transparência e comunicação com a sociedade.
A UFF reitera seu respeito ao direito constitucional de greve e segue aberta ao diálogo com o CLG-Sintuff, no sentido de pactuar soluções que preservem as ações de inclusão social e de permanência estudantil, especialmente de estudantes em situação de maior vulnerabilidade.