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Entrevista com o Reitor: impactos do trabalho remoto e expectativas para 2021

O que podemos esperar para o ano de 2021 aqui na UFF? Dúvidas sobre o retorno das atividades presenciais, expectativas quanto ao orçamento anual destinado pelo Governo Federal e possibilidade de lançamento de novas ações que atendam as demandas dos servidores são alguns dos questionamentos da comunidade acadêmica. Para responder estas e outras questões, convidamos o reitor da Universidade, professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, para uma entrevista. Confira!

1- Quais são as expectativas quanto ao orçamento da Universidade para 2021?

A previsão orçamentária das universidades federais para 2021 é extremamente preocupante. É de conhecimento público que todo ano o governo federal realiza alguma forma de contingenciamento, bloqueio ou corte nos recursos nos últimos anos. Somos extremamente transparentes sobre a situação, divulgando diversas cartas abertas à comunidade acadêmica e apresentando detalhes aos diretores de unidades e aos conselhos superiores da Universidade. Historicamente, nosso orçamento discricionário (tanto de capital quanto de custeio) está cada vez menor. Para 2021, teremos um corte de 16,5% em relação ao ano passado. Estimamos uma redução, portanto, de 21 milhões de reais. Na prática, as universidades federais vem tendo sua capacidade de realização restringida com repasse de recursos decrescentes por parte do governo federal. Na UFF, fizemos um trabalho muito intenso de recuperação da situação orçamentária e financeira, liquidando as dívidas e reduzindo os custos.

Em paralelo, intensificamos o processo de captação de receitas, seja em emendas parlamentares, por meio de parcerias com órgãos públicos federais, estaduais e municipais ou com empresas. Esse exercício conjunto de ordenamento orçamentário-financeiro com uma prática bem sucedida de suplementação do orçamento está possibilitando que a UFF avance de forma significativa em sua gestão patrimonial, com a finalização de diversos prédios e obras que estavam paradas há anos, além de realizar muitas ações de manutenção preventiva e corretiva, bem como reformas e outras intervenções para a segurança e conforto funcional. Estamos muito atentos e preocupados com o contexto econômico nacional, o que nos faz intensificar as cooperações em busca de receitas para o funcionamento e consolidação da UFF, assim como fortalecer o grupo de Reitores das Universidades Federais na proteção e ampliação dos recursos para o sistema de ensino superior.

2- Ao longo de quase 12 meses, parte da Universidade está trabalhando remotamente e há pouca movimentação de servidores e estudantes nos campi. Houve, neste período, algum tipo de economia de recursos (financeiro, material etc) e remanejamento da verba para aplicação em outras áreas?

Há um certo senso comum de que sem as atividades presenciais as universidades federais teriam um grande alívio orçamentário, sobretudo ao economizar com recursos de custeio de uso cotidiano, como energia e alimentos. Na prática, isso se verifica de forma muito marginal. Isso porque os contratos com terceirizados foram mantidos integralmente pelo máximo de tempo possível, tendo em vista que o rompimento ou descontinuidade de serviços como de limpeza ou de vigilância teria um impacto dramático pela demissão de muitas pessoas. Mesmo em cenário de crise, optamos por manter esses contratos e preservar o emprego dos terceirizados, até o limite da Lei. As reduções de gastos com energia, água e mantimentos são pequenas frente ao orçamento global. Por exemplo, quanto ao consumo de energia elétrica, nossa relação com a distribuidora é no modelo "grandes clientes" que fixa em alíquotas anuais a previsão de consumo, o que limita muito nossa flexibilidade de ajustes. De qualquer forma, utilizamos boa parte desse espaço orçamentário para lançar programas de inclusão digital para os estudantes em 2020, assim como editais de incentivo à pesquisa e à extensão.

3- Sobre esse longo período de trabalho remoto, quais os pontos positivos e negativos a se destacar nesta experiência e como você avalia o desenvolvimento das atividades acadêmicas e administrativas desempenhadas pelos servidores?

O trabalho remoto é uma condição imposta pelo quadro epidemiológico e sanitário da pandemia de Covid-19. Houve muita dúvida e incerteza quanto à duração dessa modalidade remota e como a instituição e as pessoas iriam responder. Ninguém estava preparado para uma pandemia e o cenário de escassez orçamentária reduz nossa capacidade de adaptação em questões de infraestrutura digital. No entanto, a comunidade acadêmica, em um exercício de profissionalismo e dedicação, não parou um dia sequer nesta pandemia, pelo contrário, a Universidade se manteve ainda mais vibrante e ativa. Foram centenas de iniciativas desenvolvidas em prol da sociedade, nossa comunidade se dedicou diariamente pela educação e para salvar vidas.

Outro dado importante é que não houve interrupção de nenhum serviço da universidade, todos foram mantidos a despeitos das dificuldades, o que reforça a competência e a dedicação dos servidores e o nosso esforço na compreensão do atual momento, em que técnicos e docentes se viram diante da realização simultânea de atividades da UFF e de tarefas domésticas. Além disso, destacamos que o fluxo administrativo respondeu bem e o SEI se mostrou um sistema central para manter a eficiência dos processos. Monitoramos continuamente os serviços administrativos e as atividades acadêmicas e ajustamos continuamente nossos esforços sempre na busca de inclusão e qualidade.

Esse momento de pandemia reforçou os valores da UFF, da nossa comunidade acadêmica e de como queremos atuar como gestão, com democracia, solidariedade, transparência e ressalta que com união e resiliência somos capazes de enfrentar grandes desafios.

4- Sabemos que algumas empresas vão manter o home office mesmo com o fim da pandemia. Existe algum estudo na UFF quanto à implantação híbrida ou definitiva do trabalho remoto em áreas específicas da Universidade?

A pandemia impactou a vida de muitos servidores e vivemos hoje uma nova realidade. Naturalmente, há grande ansiedade sobre as perspectivas de retorno presencial. Todavia, o cenário continua com muitos fatores de incerteza, dependendo fundamentalmente da melhoria nas condições sanitárias, vacinação em massa e arrefecimento da pandemia. Nesse sentido, estamos trabalhando com um planejamento para diferentes cenários e cursos de ação.

Em algum momento no futuro, voltaremos ao trabalho presencial. Estamos elaborando nesse período medidas de adequação da infraestrutura, conservação e manutenção predial. Desde o ano passado, formamos uma comissão sobre teletrabalho e trabalho híbrido. Não é um tema simples de decisão interna. Há um conjunto intrincado de legislações federais, condicionantes legais e regulatórios que precisam ser atendidos para proteger o servidor contra eventuais ações de órgãos de controle. Estamos trabalhando nessa direção com muito diálogo e responsabilidade.

5- Embora ainda estejamos enfrentando uma pandemia, existem novos projetos e ações para serem colocados em prática neste ano? Algum pode impactar diretamente o cotidiano do servidor? 

Há muitos projetos em andamento em frentes acadêmicas e administrativas. Durante esse período, estamos trabalhando em questões estruturais que historicamente afligiram nossa universidade. As medidas que impactam diretamente o cotidiano dos servidores dizem respeito, de um lado, aos incentivos à capacitação como as vagas de línguas estrangeiras no PULE, e de outro, ao acompanhamento de saúde tão fundamental num contexto pós-Covid.

Daremos continuidade no ambulatório pós-covid, no Espaço de Saúde do Servidor, para atendimento a aqueles servidores (as) que precisam se recuperar, ficaram com sequelas ou precisam de passar por exames clínicos necessários. Esta é uma doença que precisa ser acompanhada após a contaminação e a UFF terá este cuidado com seus técnicos e docentes. Enfim, estamos trabalhando para recuperar e adaptar os ambientes de trabalho e oferecendo oportunidades de apoio e desenvolvimento profissional aos servidores, de forma que possam manter suas atividades de trabalho e a conexão social com seus colegas, mesmo que na modalidade remota.