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Outubro Rosa: pesquisa da UFF revela como o tecido adiposo na obesidade pode influenciar células de câncer de mama

Resultados apontam para um aumento do potencial de multiplicação em duas linhagens celulares e invasão na mais agressiva

O tecido adiposo pode influenciar o comportamento de células de câncer de mama por meio de pequenas estruturas que transportam moléculas. Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) demonstraram, em experimentos de laboratório, que vesículas liberadas por esse tecido em pessoas com obesidade podem aumentar a movimentação e a capacidade invasiva de células tumorais, além de alterar a maneira como elas utilizam nutrientes para produzir energia. A investigação conecta o Outubro Rosa ao Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro.

Coordenada pela professora Mariana Renovato Martins, do Laboratório de Inflamação e Metabolismo da UFF, a linha reúne também pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A equipe utiliza amostras de tecido adiposo humano, obtidas durante cirurgias com consentimento dos participantes e aprovação ética. No laboratório, isola as chamadas vesículas extracelulares, pequenos “pacotes” que carregam proteínas, gorduras e outras moléculas, e compara seus efeitos em células de câncer de mama. “São estruturas que comunicam uma célula com outra no organismo”, explica Mariana.

Os resultados publicados na revista Endocrine-Related Cancer, em 2020, mostraram aumento do potencial de multiplicação em duas linhagens celulares e maior movimentação e invasão na mais agressiva. Em 2025, um trabalho na Frontiers in Oncology aprofundou a investigação da leptina, hormônio produzido pelo tecido adiposo. Ao bloquear seu receptor nas células tumorais, os pesquisadores reverteram determinados efeitos das vesículas, indicando a participação desse hormônio na comunicação estudada.

A pesquisa também relacionou a maior movimentação celular ao uso de gorduras como fonte de energia. “Quando elas recebem essas vesículas, adaptam o metabolismo delas para utilizar o que essas vesículas proporcionam de melhor para produzirem mais energia”, afirma Mariana. Compreender essa relação entre comunicação celular e metabolismo pode ajudar a formular novas perguntas sobre os mecanismos envolvidos na progressão do câncer de mama, apesar de ainda não estabelecerem exames ou tratamentos.

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