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Hipertensão segue como risco silencioso e exige atenção contínua com a saúde

Especialista da UFF explica riscos, diagnóstico e mudanças no estilo de vida que ajudam a prevenir e controlar a doença

A hipertensão arterial segue como um dos principais desafios de saúde pública global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,28 bilhão de adultos convivem com a doença, sendo que quase metade desconhece o diagnóstico. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que as doenças cardiovasculares continuam como a principal causa de morte, com a hipertensão entre os fatores mais determinantes. Frequentemente assintomática, a condição pode evoluir silenciosamente até eventos graves como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Segundo o cardiologista Ronaldo Curi Gismondi, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), e um dos líderes do Ambulatório de Hipertensos Resistentes do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP), a hipertensão é caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial, geralmente acima de 140/90 mmHg. “Ao longo do tempo, essa pressão elevada provoca lesões nos vasos sanguíneos, com disfunção endotelial e aumento da rigidez arterial, afetando órgãos como coração, rins e cérebro”, explica. O especialista ressalta que o diagnóstico depende da aferição regular da pressão, já que a doença raramente apresenta sintomas nas fases iniciais.

O risco de desenvolver hipertensão está associado a fatores como envelhecimento, obesidade, sedentarismo, estresse crônico, diabetes e predisposição genética. Gismondi destaca que a prevenção e o controle passam, прежде de tudo, por mudanças no estilo de vida: redução do consumo de sal, especialmente de alimentos ultraprocessados, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso, melhora do sono e redução do consumo de álcool. Quando essas medidas não são suficientes, o tratamento medicamentoso torna-se necessário.

As consequências da hipertensão não controlada são amplas e potencialmente fatais. Entre as principais estão o AVC, o infarto do miocárdio, a doença renal crônica e arritmias cardíacas. Ainda assim, um dos maiores desafios no enfrentamento da doença é a adesão ao tratamento. “Em uma pesquisa que fizemos no ambulatório, observamos que cerca de 80% dos pacientes apresentam falhas em algum aspecto, seja na medicação, na alimentação ou na prática de exercícios”, alerta o cardiologista.

Na UFF, o cuidado com casos mais complexos é realizado no Ambulatório de Hipertensos Resistentes do HUAP, com abordagem multiprofissional. Além de Gismondi, participam a enfermeira Dayse Mary da Silva Correia e a nutricionista Grazielle Vilas Bôas Huguenin, integrando atendimento médico, de enfermagem e nutricional no mesmo fluxo. O modelo busca ampliar a adesão ao tratamento e oferecer cuidado contínuo, combinando assistência, ensino, pesquisa e estratégias como telemonitoramento e educação em saúde.

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