Pesquisa identificou mais de 180 mil denúncias em 2025 e revela que a violência permanece concentrada dentro do ambiente familiar
Às vésperas do Dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, em 15 de junho, a Universidade Federal Fluminense (UFF) divulgou a atualização do Mapa da Violência contra a Pessoa Idosa no Brasil. O estudo aponta que 55% dos casos têm filhos ou filhas como autores das agressões. Entre os tipos de violência identificados estão negligência, abandono, violência psicológica, agressões físicas e abuso financeiro ou patrimonial.
O levantamento, coordenado pela professora Alessandra Funchal Camacho, registrou 180.004 denúncias em 2025, número superior ao registrado em 2024, quando houve mais de 179 mil notificações. Entre os principais achados está a constatação de que as mulheres representam 63,44% das vítimas e a faixa etária mais atingida foi a de idosos com 80 anos ou mais, responsável por 24,01% das denúncias registradas.
“O dado mais alarmante é que a maior parte das agressões continua ocorrendo na casa da própria vítima e sendo praticada pelos próprios filhos. O lar, que deveria ser um espaço de proteção, acaba se tornando um lugar de medo para muitos idosos”, afirma Camacho.
A pesquisa também aponta que a região Sudeste concentrou mais da metade das denúncias do país em 2025, com 51,67% dos registros, seguida pelas regiões Nordeste (20,67%) e Sul (14,49%).
Foi identificada na atualização do estudo uma mudança no perfil dos agressores: pela primeira vez na série analisada, as filhas aparecem em número ligeiramente superior aos filhos entre os autores das agressões registradas. O levantamento ainda destaca a permanência de casos de negligência, violência psicológica, agressões físicas e violência financeira, além da forte subnotificação do problema.
