Evento
A OSN-UFF apresenta um programa que explora o estilo sinfônico russo do século XX, onde compositores como Prokofiev e Rachmaninoff dialogam com as reminiscências e ecos de uma tradição finamente moldada a muitas mãos, mas que começava a encontrar pontos de intersecção com perspectivas musicais mais abertas e cosmopolitas, criando a partir daí seus próprios traços de inventividade.
A teatralidade é uma característica muito presente na obra de Prokofiev. Em seu primeiro Concerto para Violino essa característica permeia toda a obra, fazendo com que a dinâmica entre solista e orquestra traga variadas cenas musicais ao longo dos três movimentos do concerto. Seja com a melodia principal ou com o acompanhamento, essa expressividade teatral e suas possibilidades musicais no violino são exploradas a fio neste concerto.
Seguindo o fio da meada que bordou a fina malha do sinfonismo russo no século XX, costurando entre o romantismo e modernismo, encontramos a Terceira Sinfonia de Rachmaninoff. O compositor atravessou um processo composicional laborioso para a sua realização, que tomou pouco mais de um ano, entre 1935 e 1936, fase essa que ficou registrada em cartas para sua prima Sofiya Satina, quando relatou que tinha de conciliar a composição com a intensa rotina de recitais como pianista.
O primeiro movimento da sinfonia se inicia com uma melodia longínqua, como uma memória, mas logo toma forma energicamente e se estende em longas linhas nas cordas e sopros, que se entremeiam com a agitação de seções rítmicas marcadas por intervenções dos metais e percussão. O Adágio, segundo movimento, começa num diálogo entre trompa, harpa e violino, desenvolve-se num caráter contemplativo, mais camerístico, conduzindo para um elétrico scherzo que se arrefece à medida que encerra o movimento retornando ao seu tema inicial. O último movimento traz inicialmente uma atmosfera festiva, que se dissipa numa névoa de tons impressionistas, mas eventualmente retorna à festividade inicial e termina a sinfonia triunfantemente.
Pouco aclamada pela crítica e pelo público em sua estreia, a obra parece carregar um caráter profundamente pessoal no desenvolvimento artístico do compositor: uma evolução natural de sua linguagem sinfônica dentro do contexto histórico, político e artístico do século XX. Esse período, marcado por transformações radicais, refletiu-se também em sua música, que passou a inaugurar novos caminhos composicionais. Tais caminhos, contudo, revelavam certa hesitação e dúvida, menos assertivos do que em obras anteriores — algo compreensível diante das circunstâncias externas e internas que moldavam a vida e a criação do artista naquele momento. Ainda assim, Rachmaninoff considerava a sinfonia um de seus melhores trabalhos e, em reação às críticas, escreveu que os compositores também podem ter ideias equivocadas, mas que, pessoalmente, acreditava ter realizado um bom trabalho.
Raphael Resende, trompista da OSN
Abril, 2026
Programa
Sergei Prokofiev (1891–1953)
Concerto para violino nº 1 – opus 19
Sergei Rachmaninoff (1873–1943)
Sinfonia nº 3 – opus 44
09 de Maio de 2026
Sábado 19h
Cine Arte UFF
Rua Miguel de Frias, 9 – Icaraí – Niterói
Ingressos: R$ 10 (valor único promocional)
Canais de venda: No Site e Bilheteria
Classificação Indicativa: livre