Mesmo quando a chuva não é intensa, a sequência de dias chuvosos pode aumentar os riscos de deslizamentos e inundações. Isso acontece porque o acúmulo de água no solo reduz sua capacidade de absorver novas precipitações, o que favorece o escoamento superficial e compromete a estabilidade de encostas.
Em referência ao Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, celebrado em 13 de outubro, a Universidade Federal Fluminense (UFF) indica a professora Franciele Zanandrea, do Departamento de Engenharia Agrícola e Meio Ambiente da Escola de Engenharia, para entrevistas sobre os impactos das chuvas persistentes e os desafios da prevenção de desastres.
Segundo a pesquisadora, as características do terreno, a cobertura vegetal, as condições de drenagem e a ocupação urbana ajudam a explicar por que uma mesma sequência de chuvas pode provocar consequências diferentes entre localidades. Intervenções como a retirada de vegetação, a impermeabilização do solo e os cortes inadequados em encostas também podem aumentar a suscetibilidade a deslizamentos e inundações.
Outro aspecto importante é a identificação antecipada dos riscos. A especialista destaca que os sistemas de monitoramento e alerta precisam combinar informações meteorológicas com dados sobre o solo, o relevo, os recursos hídricos e a presença de populações e infraestruturas expostas.
A professora explica que a ciência identifica essas alterações a partir de séries históricas e informações utilizadas pelos sistemas de monitoramento e alerta para antecipar situações de risco. A pesquisadora também pode esclarecer a relação entre as mudanças nos padrões de precipitação no Brasil e a ocorrência de eventos extremos.
