Tecnologia reduz custo de equipamentos que podem ultrapassar R$ 170 mil e é testada em unidades de saúde e escolas
Uma impressora Braille de baixo custo, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com o Instituto Federal de Rondônia (IFRO), propõe uma mudança concreta no acesso à informação para pessoas com deficiência visual no Brasil. Voltada a contextos reais de uso, a tecnologia surge como alternativa às impressoras comerciais.
O diferencial da solução está na combinação entre engenharia simplificada e usabilidade. O equipamento utiliza uma única cabeça de impressão móvel, reduzindo custos sem comprometer a funcionalidade, e opera por meio de uma plataforma web que dispensa instalação e treinamento técnico. “Hoje, as impressoras disponíveis no mercado podem ultrapassar R$ 170 mil, o que as torna inacessíveis para a maior parte da população e das instituições públicas. A proposta foi desenvolver uma solução funcional, acessível e replicável”, afirma o desenvolvedor da tecnologia e doutorando pela Pós-Graduação em Engenharia de Produção (PPGEP-UFF), Maicon Gonzaga da Silva.
A tecnologia já foi testada em campo, incluindo unidades de saúde, escolas e eventos públicos em Ji-Paraná (RO), com participação direta de usuários. Em uma das experiências, durante uma feira do IFRO, pessoas com deficiência visual puderam testar o equipamento e contribuir com ajustes em tempo real, como calibração da força de impressão e escolha da gramatura do papel. “Um usuário apontou que a perfuração não estava adequada. Fizemos o ajuste ali mesmo e melhoramos o resultado na hora”, relata Ilma Rodrigues de Souza Fausto, coordenadora do projeto e pós-doutoranda do PPGEP-UFF, destacando o papel central da escuta ativa no desenvolvimento da solução.
Além de ampliar o acesso à informação, a impressora impacta diretamente a autonomia dos usuários e a eficiência dos serviços públicos. Em unidades de saúde, por exemplo, possibilita que pacientes leiam suas próprias receitas e compreendam a posologia sem depender de terceiros. “A pessoa passa a ter autonomia para ler a própria receita, entender a posologia e conduzir o tratamento com mais segurança”, afirma Ilma. Com potencial de replicação em larga escala, a tecnologia se posiciona como uma inovação social estratégica, capaz de reduzir desigualdades no Sistema Único de Saúde (SUS).
Na educação, os efeitos seguem a mesma lógica. Professores passam a ter autonomia para produzir materiais acessíveis sem depender de serviços externos, o que reduz tempo, custo e risco de erro na adaptação de conteúdos. “Agora, é possível pegar um texto digital, converter e imprimir em Braille imediatamente. Isso muda completamente a dinâmica de ensino e amplia o acesso ao conhecimento”, destaca Ilma. O resultado é uma experiência mais inclusiva, tanto para estudantes quanto para educadores.
