A iniciativa rompe a visão do dentista focado apenas na estética e capacita centenas de profissionais para identificar sinais da doença antes que se torne agressiva
O câncer de boca é uma realidade negligenciada e silenciosa no Brasil. Como forma de conscientizar os brasileiros sobre a doença, foi instituído o Maio Vermelho. Ao longo do mês são desenvolvidas diversas ações que auxiliam a população a identificar os sintomas e orientam sobre o procedimento adequado em casos de suspeita de câncer de boca.
Para contribuir na conscientização, o projeto de extensão “Conscientiza Câncer Oral”, do Instituto de Saúde de Nova Friburgo, da Universidade Federal Fluminense (ISNF/UFF), atua de forma contínua na conscientização e capacitação profissional na Região Serrana do Rio de Janeiro.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença afeta anualmente cerca de 11,2 mil homens no país, sendo o quinto tipo de câncer mais frequente nesta parcela da população. A maioria dos casos são notificados apenas em estágios avançados, levando a um alto número de óbitos pela doença.
Um dos maiores obstáculos no combate à doença é o seu caráter assintomático. Diferente de outros desconfortos orais, como afta e forte dor de dente, o câncer de boca raramente apresenta dor. O desconforto surge apenas quando o tumor já está avançado e comprometendo nervos.
O projeto promove ações que visam capacitar dentistas, agentes comunitários de saúde, auxiliares de saúde bucal, demais profissionais de saúde e gestores municipais. Recentemente, a equipe foi convidada pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro para auxiliar na construção do manual teórico da linha de cuidado do câncer de boca para todo o estado.
A iniciativa busca romper com o senso comum que enxerga o dentista como mero profissional de estética e procedimentos dentários. A coordenadora do projeto e professora associada do ISNF/UFF, Renata Tucci, aponta para a falta de associação direta entre cirurgião-dentista e a saúde bucal patológica, ressaltando o papel do profissional para o diagnóstico de lesões bucais. “As pessoas precisam saber que o dentista existe para diagnosticar essas lesões. Quando falamos de conscientizar as pessoas, é no sentido de abordar os sinais e sintomas da doença. Esse é o papel do dentista no processo”, afirma Tucci.
