O longa-metragem brasileiro terá como foco a história do Cais do Valongo
A Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com institutos nacionais e internacionais, está produzindo o projeto “Representing the Undead Past of Slavery: Global, National and Local Contestation and Co‑production”. O objetivo do longa-metragem é ressaltar como a escravidão ainda impacta todos os âmbitos da sociedade e mostrar o passado e o presente de luta e resistência do povo negro. O filme tem previsão para a estreia em 2028.
Com financiamento de mais de R$ 18 milhões da instituição da Grã-Bretanha Arts and Humanities Research Council (AHRC), do UK Research Innovation, o longa-metragem da UFF busca mostrar fatos históricos dos tempos de escravidão por meio de artefatos e espaços simbólicos, como o Cais do Valongo, maior porto de escravizados das Américas localizado no Rio de Janeiro.
O filme também prevê revelar as engrenagens de funcionamento do racismo por meio da análise da escravidão e a partir do ponto de vista de pessoas negra. “O intuito não é mostrar corpos negros sendo violentados, mas, sim ter a certeza que a luta contra a escravidão tem o mesmo tempo de existência da escravidão, explica a professora do departamento de História da UFF, Ynaê Lopes dos Santos. “Por mais que haja um silenciamento em relação a esses sujeitos em diferentes momentos da história, queremos escutar as vozes e jogar luz nas memórias sobre o passado escravista”, acrescenta.
Em 2025. o Brasil bateu recorde de denúncias de trabalhadores em condições análogas à escravidão, com 4.515 caos registrados, apesar deste sistema violento ter sido abolido séculos atrás. Para Ynaê, uma maneira de combater essa exploração é retornar às memórias do passado, porém por uma perspectiva de protagonismo negro.

