Notícia

Projeto da UFF desenvolve ambulatório odontológico especializado para pessoas com Transtorno do Espectro Autista

Ambulatório considera aspectos sensoriais para promover um atendimento mais acessível e humanizado.

Um projeto desenvolvido na Universidade Federal Fluminense (UFF), no campus de Nova Friburgo, qualifica o atendimento odontológico a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) por meio de um ambulatório especializado. A iniciativa atua na promoção de um cuidado em saúde bucal mais acessível e humanizado ao considerar fatores sensoriais, como hipersensibilidade a sons, luzes, sabores e ao toque oral, que podem dificultar tanto a higiene diária quanto a adesão ao atendimento odontológico convencional.

O ambulatório é parte da pesquisa de pós-doutorado da professora da Faculdade de Odontologia da UFF, Bruna Lavinas Sayed Picciani, com orientação da professora do Instituto de Biologia da UFF, Diana Negrão Cavalcanti. Estruturado inicialmente em parceria com a Secretaria de Educação Especial de Nova Friburgo para atender estudantes da rede pública municipal, o serviço hoje recebe pacientes de diferentes regiões do Rio de Janeiro e de estados como Espírito Santo e Minas Gerais. Hoje, a clínica possui uma lista de espera e a alta demanda demonstra a importância de serviços que atendam as necessidades de pacientes com TEA. 

Resultados 

O cotidiano no ambulatório foi o ponto de partida para o desenvolvimento do estudo, que contou com a colaboração de 32 pacientes, de idades entre 4 e 22 anos, com TEA. Em um primeiro momento, a equipe aplicou questionários adaptados para avaliar como os participantes percebiam estímulos como luz, som, movimento da cadeira e toque oral. “A maior parte tem pavor do barulho do motor e do movimento da cadeira. Em muitos casos, ações rotineiras da prática odontológica, como deitar o paciente sem aviso ou acender o foco de luz diretamente nos olhos, eram realizadas sem a percepção do impacto sensorial que poderiam causar. Hoje, essas práticas foram reformuladas, e o atendimento passou a incorporar estratégias de adaptação do ambiente”, relata Bruna.

A partir dessa constatação, o estudo propõe adaptações simples, como o controle da iluminação, a apresentação prévia dos instrumentos e o respeito ao tempo de cada paciente, como estratégias capazes de tornar o atendimento mais acessível e humanizado.

Leia a matéria na íntegra.

Acessar o conteúdo