O método com plasma rico em plaquetas foi testado em 120 pacientes e demonstrou eficácia idêntica ao tratamento com ácido hialurônico
Um estudo clínico conduzido na Universidade Federal Fluminense (UFF) se debruçou sobre uma nova forma de tratamento para a osteoartrite de joelho com menor custo para os sistemas de saúde e para os pacientes em longo prazo: o plasma rico em plaquetas (PRP).
A artrose é uma doença reumática que atinge cerca de 15 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e a principal articulação afetada é o joelho. A terapia com ácido hialurônico (AH), considerada “padrão ouro”, é inacessível, visto que as injeções podem custar até R$1.000.
O estudo, coordenado pelo professor de Ortopedia da Faculdade de Medicina da UFF, Eduardo Branco, indicou que em seis meses de testes, os resultados demonstram que a infiltração intra-articular de PRP é tão eficaz quanto o AH. A substância é produzida com o sangue do próprio paciente e com insumos do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF), o que reduz o custo para cerca de R$100.
“Num país continental com um sistema público universal de saúde, conseguimos atender mais pessoas com um menor custo. Isso é muito importante em termos de manutenção da viabilidade do sistema econômico de saúde”, defende Branco. A expectativa no futuro é que o produto seja mais um aliado contra essa doença crônica e muito complexa.
De olho no processo
A fim de testar a eficácia do procedimento, foram selecionados 120 pacientes do Huap diagnosticados com osteoartrite de joelho bilateral, de 40 a 70 anos, que foram divididos em três diferentes grupos. No formato de estudo duplo-cego, no qual os pacientes não sabem qual produto vão receber, o tratamento padrão com ácido hialurônico foi comparado com dois protocolos de PRP distintos, nos quais o tempo de centrifugação do plasma mudava.
São necessárias pelo menos três aplicações de PRP com um intervalo de uma a três semanas e, em seis meses de experimento, os efeitos são semelhantes ao AH, constatou o estudo da UFF. “Já existem trabalhos que demonstram que o plasma rico em plaquetas pode ser superior à outras injeções, tanto em termos de redução de dor e melhora na função, alguns até na duração de efeitos para além de um ano.”
O pesquisador explica que a plaqueta é um fragmento de célula presente no sangue que ajuda na coagulação, com a liberação de substâncias anti-inflamatórias e que atuam na cicatrização. “Verificou-se que, na osteoartrite, elas ajudam a modular a inflamação da articulação, que mostra que ela poderia ser controlada”, indica. Além de a terapia ter uma preparação simplificada, a infusão ser feita com um material do corpo do paciente reduz eventuais efeitos colaterais.
