Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) estão investigando como o fortalecimento dos músculos da respiração pode ajudar no controle do coração em pessoas com doença de Parkinson. O estudo, coordenado pelo professor do Departamento de Fisiologia e Farmacodinâmica da UFF, Gabriel Dias Rodrigues, avalia se o treinamento muscular inspiratório é capaz de melhorar o funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por regular automaticamente os batimentos cardíacos e a respiração.
O exercício é simples, pode ser feito em casa e a carga respiratória é prescrita de forma individualizada para cada paciente. O protocolo consiste em 30 respirações por dia, realizadas com um dispositivo que oferece resistência controlada à inspiração. Os resultados iniciais do estudo piloto mostraram que, após cinco semanas de treinamento, os pacientes apresentaram aumento da força dos músculos inspiratórios e melhor resposta cardíaca durante mudanças de postura. A próxima fase da pesquisa ampliará o número de participantes e aplicará testes mais detalhados da função autonômica, com previsão de conclusão até o primeiro semestre de 2026.
Entre as melhorias, estão o impacto direto em sintomas comuns do Parkinson, como as quedas e desmaios causados pela queda da pressão arterial ao se levantar. Ao reforçar o controle do sistema nervoso autônomo, o treino respiratório ajuda o corpo a reagir melhor às variações de posição, reduzindo o risco de hipotensão postural.
Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), conta com alunos de iniciação científica, residentes e doutorandos dos programas de pós-graduação da UFF. Espera-se que, com o avanço da pesquisa, a técnica possa ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) como uma alternativa não farmacológica, segura, de baixo custo, que beneficiará milhares de pessoas com Parkinson e outras condições que afetam o controle do coração.

