Notícia

Estudo da UFF analisa uso de histórias em quadrinhos na educação antirracista

Pesquisa investiga o potencial das graphic novels na formação inicial de professores

Um estudo desenvolvido na Universidade Federal Fluminense (UFF) analisa como as graphic novels podem contribuir para a educação das relações étnico-raciais no cotidiano escolar. A pesquisa investiga o uso das histórias em quadrinhos como mídia educativa capaz de provocar reflexões sobre raça e identidade, especialmente na formação inicial de professores do Curso Normal. A tese identificou que o debate racial ainda ocorre de forma pontual dentro das salas e que muitos futuros docentes não se sentem preparados para abordar o tema.

Desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano (PPGMC/UFF) pela doutoranda Fernanda Pereira da Silva, com orientação da professora da Faculdade de Educação da UFF, Walcéa Barreto Alves, a tese demonstrou que a mediação crítica de HQs com narrativas de resistência negra favorece reflexões sobre racismo estrutural, amplia o repertório pedagógico dos estudantes do Curso Normal e se apresenta como uma ferramenta potente para a promoção de uma educação antirracista.

A análise foi feita em uma turma de segundo ano do ensino médio, dos quais 95% eram negros ou pardos. Fernanda identificou experiências de violência racial, agressões verbais e práticas institucionais que minimizam ou invisibilizam o problema: “A maioria dos estudantes que eu entrevistei eram negros. Eles sabem o que é racismo porque vivem isso no cotidiano. Teve relato de agressão verbal, de violência racista na escola, que a instituição tratava apenas como uma briga entre alunos”, explica Fernanda.

De acordo com Walcéa, as graphic novels são entendidas como uma mídia que pode ser vista como uma ferramenta contra-hegemônica, capaz de fazer transparecer o racismo estrutural e de provocar reflexões críticas sobre a história, a escravidão e as formas como esses processos ainda refletem na sociedade brasileira. “Essa mídia atravessa os processos de significação e as relações socioculturais e está presente na forma como os sujeitos constroem as visões de mundo, as identidades e interações. Por isso, pensar a educação das relações étnico-raciais sem considerar a mídia é ignorar uma dimensão fundamental do cotidiano escolar”, afirma.

 

Leia a matéria na íntegra

Acessar o conteúdo