O projeto atua em Bom Jardim e Angra dos Reis e já contabiliza mais de 7 mil participações diretas em mais de 250 atividades ao longo da sua existência
Desenvolvida a partir do diálogo entre universidade e comunidades locais, a tecnologia social Bacia Escola vem se consolidando como uma estratégia estruturante para a gestão sustentável dos recursos hídricos no estado do Rio de Janeiro. Criada em 2017 no âmbito da Universidade Federal Fluminense (UFF), a iniciativa utiliza a bacia hidrográfica como unidade de referência para integrar educação ambiental, ciência cidadã, prevenção de desastres e fortalecimento da governança comunitária.
Atualmente, o projeto está implantado em duas regiões estratégicas: a Bacia Escola do Retiro, em Angra dos Reis, e a Bacia Escola da Barra de Santa Tereza, em Bom Jardim. Nos dois territórios, a água funciona como eixo articulador de ações participativas que resultaram em avanços concretos, como melhorias no saneamento básico, no abastecimento de água, na educação ambiental e na organização comunitária para a tomada de decisões sobre o uso do território.
Ao longo de quase uma década, a Bacia Escola já contabiliza mais de 7 mil participações diretas em mais de 250 atividades, envolvendo alunos de escola pública, estudantes universitários, professores e moradores locais. As ações incluem aulas-passeio, monitoramento ambiental participativo, implantação de sistemas de saneamento ecológico e práticas sustentáveis, além da construção coletiva de Planos de Ação Comunitários voltados à resiliência socioambiental e à adaptação às mudanças climáticas.
Além das atividades diretamente relacionadas ao saneamento, o projeto também incorpora práticas sustentáveis no próprio campus universitário. Entre elas estão a compostagem dos resíduos vegetais da manutenção, que antes eram destinados ao aterro sanitário e hoje são reaproveitados nas hortas agroecológicas. Na moradia estudantil, um biodigestor transforma restos de alimentos em biogás, utilizado no fogão da própria moradia, e em biofertilizante líquido, aplicado nas hortas.
“As ações não melhoram apenas a saúde dos moradores locais, mas beneficiam também todos os usuários desses territórios, como os frequentadores da praia do Retiro, e futuramente a população atendida pelo córrego Santa Tereza, em Bom Jardim”, explica Anderson Mululo Sato, professor do Instituto de Educação de Angra dos Reis da UFF e coordenador do projeto. Segundo ele, o avanço dessas iniciativas contribui para reduzir conflitos pelo uso da água e fortalecer modelos de governança comunitária.
“Quando falamos em sustentabilidade, estamos nos referindo também à prevenção de desastres, seja por falta ou por excesso de água, e de um modelo de governança que nasce do diálogo entre saberes acadêmicos e comunitários”, finaliza o pesquisador.

