Para discutir o impacto da ciência e o papel dos cientistas na sociedade, cinco vencedores do Prêmio Nobel vão se reunir virtualmente com 80 estudantes de cerca de 20 países da América Latina e do Caribe. O evento, organizado pelo Nobel Prize Outreach, pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Rede Interamericana de Academias de Ciências (IANAS), será transmitido para uma audiência global em 16 de novembro.
O Brasil será o país com o maior número de representantes, 16 no total. Entre os selecionados está a aluna do Programa de Pós-graduação em Ciências Biomédicas, Beatriz Alexandre, representando a UFF. Segundo a estudante de doutorado, a seleção se deu a partir de uma carta de recomendação escrita pela coordenadora do programa, a professora Mirtes Pereira, constando a motivação para a indicação e também foram analisados o currículo e o histórico escolar.
A estudante afirma que é uma honra muito grande representar a UFF em um evento internacional desse porte, promovido pelo Prêmio Nobel. “É muito importante que a população saiba que estamos pesquisando, trabalhando e sendo vistos, principalmente em tempos como os que estamos vivendo. Isso se reflete de forma muito positiva tanto para mim, na minha carreira profissional, quanto para a UFF como um todo”, destaca.
O Diálogo Prêmio Nobel América Latina e Caribe terá a presença de nomes de peso como a microbióloga francesa Emmanuelle Charpentier, vencedora do Nobel de Química em 2020 por criar, junto com a norte-americana Jennifer Doudna, uma ferramenta revolucionária capaz de editar a estrutura do DNA humano, que ficou conhecida pelo acrônimo CRISPR. Além de Charpentier, participarão do encontro a australiana Elizabeth Blackburn e a norueguesa May-Britt Moser, vencedoras do Nobel de Medicina em 2009 e 2014, respectivamente; o norte-americano Saul Perlmutter, Nobel de Física em 2011; e o holandês Bernard Feringa, Nobel de Química em 2016.
No encontro, os laureados estarão reunidos com 80 estudantes de graduação e pós-graduação de quase todos os países da América Latina e do Caribe. Divididos em cinco salas virtuais, eles debaterão questões como a responsabilidade dos cientistas e a construção de diálogos entre a ciência, os atores políticos e a sociedade. Os cinco vencedores do Prêmio Nobel também vão propor desafios científicos aos jovens e responderão a questões propostas pelos estudantes.
“A interação com estudantes de toda a América Latina e Caribe é muito valiosa culturalmente, afinal traz diferentes perspectivas e realidades frente a questões em comum. E, obviamente, a oportunidade de não só ouvir, mas conversar com um laureado pelo Nobel, é ímpar, sempre julguei inatingível. Com certeza terá impacto direto na minha visão sobre o mundo científico e sobre meu papel na sociedade”, conclui Beatriz.