Evento
O programa deste concerto pode ser visto como uma “lufada de ar fresco”, trazendo novos ares, conectando o legado histórico a novas perspectivas musicais atuais.
A Suíte para Cordas Graves de Clarice Assad representa muito bem essa “renovação de ar”. Baseada em temas de J. S. Bach, a obra utiliza recursos composicionais que não seriam permitidos na época do mestre barroco. A partir da visão de Clarice, a genialidade atemporal dos contrapontos bachianos ganha lufadas de ar fresco: o discurso musical experimenta os limites de linhas escritas há séculos, encontrando novas perspectivas e linguagens para o horizonte atual.
Em sua Suíte para Cordas, Radamés Gnatalli faz também referência ao estilo barroco na forma das composições, com cada movimento da obra fazendo referência a uma dança tradicional da época, mas sem deixar de trazer nas entrelinhas da harmonia a modernidade e brasilidade que lhes são tão características.
Kingsfolknem é uma obra que declara as interseções possíveis em uma orquestra entre estilos, roupagens e tempos habitados. A composição mescla momentos de linguagem sinfônica tradicional as vertentes da música popular, principalmente de matriz afrodiaspórica. A compositora, Jasmine Barnes, buscou inspiração em reuniões familiares e nas atmosferas sonoras que envolvem tais eventos. Com um quarteto de madeiras solista à frente da orquestra, uma profusão de diálogos — rica em seus variados sotaques — compõe esta homenagem às festividades familiares típicas das culturas africanas, que permeiam de tantas formas as sociedades americanas.
O Concerto para Clarinete e Orquestra nº 2, dedicado ao clarinetista César Bonan,organiza-se em três movimentos que articulam contraste de caráter e unidade de processo.O primeiro, Ciclos, nasce de ciclos harmônicos previamente estabelecidos. A partir dessas recorrências, o discurso melódico se desdobra como consequência direta do encadeamento harmônico que funciona como matriz geradora, fixando pontos de retorno e orientando a direção expressiva do clarinete em diálogo com a orquestra. O segundo movimento, Noturno, suspende a tensão e privilegia uma sonoridade tranquila e suave, evocando a calma da noite. O final, Saltarello, reintroduz a energia rítmica e explicita conexões com a música medieval e renascentista, além de referências ao oeste asiático, perceptíveis no rítmico e no desenho escalar. Ao longo dos três movimentos, diversas séries de doze notas atravessam a obra, operando como fio estrutural que unifica materiais e transforma identidades musicais ao longo do percurso.
Fabricia Medeiros – regente
Bacharel em Clarinete pela Faculdade Mozarteum de São Paulo e formada em regência Orquestral pela EMESP Tom Jobim, sob orientação de Cláudio Cruz, Fabricia Medeiros consolidou-se como um dos nomes de destaque da nova geração de regentes brasileiros. Sua trajetória inclui o posto de regente assistente de renomados maestros, como Marin Alsop, Fábio Mechetti e Roberto Minczuk, além de uma colaboração de três anos com a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo. No cenário internacional, venceu o Concurso de Regência de La Serena (Chile, 2022) e, em 2025, foi convidada para a prestigiosa NOI Conducting Academy (EUA), atuando sob orientação de Marin Alsop e Mei-Ann Chen. Como regente convidada, esteve à frente de grupos como a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro — abrindo a temporada 2025 ao lado do pianista Cristian Budu; a Camerata Fukuda e a OSULS (Chile).Sua atuação versátil abrange desde a direção musical de óperas, como Cinderella de Pauline Viardot no Theatro São Pedro, até a preparação de orquestra e coro para eventos de grande escala, como a turnê brasileira do tenor Andrea Bocelli e a estreia da ópera Amor Azul, de Gilberto Gil. Recentemente, foi convidada pela OSNUBLE para reger solistas do calibre de Emmanuele Baldini e Stanimir Todorov.
SOLISTAS
Anderson César Alves é clarinetista da OSN UFF e doutor pela UFRJ. Com sólida carreira orquestral com passagem por várias orquestras sinfônicas no estado de São Paulo e grupos de música de câmara na Colômbia e no Peru, destaca-se pela parceria com André Mehmari no EP Suíte Brasileira (2024). Além da performance, é pesquisador em psicologia da música, focando no desenvolvimento da expertise musical e pedagogia do instrumento.
Cesar Bonan é clarinetista da OSN UFF, doutorando pela Unirio e mestre em música pela UFRJ. Com sólida experiência internacional, participou de festivais em Tucumán (Argentina) e em Karlsruhe (Alemanha), além de masterclasses com nomes como Michael Collins e Anthony McGill. Atua frequentemente como convidado em orquestras como a Sinfônica Brasileira (OSB), Petrobras Sinfônica e a do Theatro Municipal do RJ. É integrante do Quinteto Lorenzo Fernandez e do Duo Imudara, conciliando a performance orquestral com uma ativa carreira na música de câmara.
Jeferson Souza é fagotista da OSN UFF e doutorando pela UFRJ. Aperfeiçoou-se na Hochschule für Musik Karlsruhe (Alemanha) e na Aaron Copland School of Music (EUA). Sua trajetória é marcada pela valorização da música brasileira, estreando obras inéditas e expandindo o repertório contemporâneo para o instrumento. Atuou como integrante das orquestras OSB Jovem, Sinfônica de Barra Mansa e Sinfônica do Theatro Municipal RJ, além de atuar como músico convidado da Petrobras Sinfônica, Orquestra Sinfônica Municipal e Sinfônica do Estado de São Paulo. Integra o Duo Imudara e o Quinteto Lorenzo Fernandez.
Jeferson Nery é oboísta da OSN UFF é mestre em música pelo PROEMUS/Unirio. Foi vencedor do Concurso Jovens Solistas da UNIRIO, solando com a orquestra da instituição. Ao longo de sua carreira, atuou como músico convidado nas seguintes orquestras: Sinfônica Brasileira, Petrobras Sinfônica, Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Filarmônica do Espírito Santo e a Sinfônica da Bahia. Atualmente é integrante da Orquestra de Solistas do Rio de Janeiro e professor de oboé do IBME, mantendo intensa atividade artística e pedagógica.
Rômulo Barbosa é flautista da OSN UFF e mestre em música pela UFRJ. Licenciado em Educação Artística pelo Conservatório Brasileiro de Música, ampliou sua experiência musical na Hugh Hodgson School of Music (University of Georgia, EUA) com Angela Jones-Réus. Com passagens por importantes festivais nacionais e internacionais, colaborou com orquestras como a do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Sinfônica da Bahia e Filarmônica de Goiás. Atualmente, desenvolve intensa atividade camerística como membro do Quinteto Lorenzo Fernandez.
Nota de Programa
Clarice Assad (1978)
Suite for Lower Strings (Five movements based on themes by Bach)
Suite para cordas graves (cinco movimentos baseados em temas de Bach)
Liduíno Pitombeira (1962) – Estreia Mundial
Concerto para Clarinete e Orquestra nº 2, op.313 (2006)
Obra dedicada ao clarinetista César Bonan
Radamés Gnattali (1906 – 1988) – Suíte para cordas (1973)
Jasmine Arielle Barnes (1991) – Kinsfolknem
Versão de câmara para solistas de sopro, cordas e percussão
Obra dedicada à Reverenda Martina D. Madden (1931-2022)
22 de Março de 2026
Domingo | 10h30
Cine Arte UFF
Rua Miguel de Frias, 9 – Icaraí – Niterói
Entrada Franca
Retirada dos ingressos na Bilheteria 1h antes do evento