Evento
O programa deste concerto propõe, através de seu repertório, uma exploração de diferentes atmosferas musicais, buscando tangenciar as Fronteiras Sonoras que compõem cada obra. Cada uma das composições apresenta uma natureza distinta, contando histórias que afirmam as singulares expressões de suas terras, dos tempos em que foram escritas, carregando em si os diferentes sotaques que permeiam a tradição sinfônica.
O poema sinfônico “Finlândia” foi escrito por Sibelius em meio a um período de muitas tensões políticas no país que, na ocasião, estava sob domínio russo e por conta disso a obra precisou ter diferentes codinomes enquanto era apresentada, para que não fosse barrada pela censura czarista. A música carrega as tensões dos tempos de guerra, mas tem em sua seção final um cântico solene que perdura até os dias de hoje, sendo entoado pelo povo finlandês quase como um segundo hino do país.
Bartók foi um compositor com profundo interesse pela música baseada em danças populares, chegando a realizar expedições em diversos países da Europa Central com Zoltán Kodály no intuito de catalogar os materiais musicais que fossem encontrados nas buscas. Tais pesquisas influenciaram diretamente a composição de suas “Danças Romenas Populares”, originalmente escritas para piano e posteriormente sendo orquestradas pelo próprio compositor, que escreveu a peça de modo que, cada um dos movimentos, fizesse referência à prática musical de uma região específica da Romênia.
A terceira sinfonia de Mendelssohn, “Escocesa”, é a obra que norteia a expedição sonora deste programa, escrita com as impressões de um país a partir da perspectiva de um estrangeiro que, enquanto se perdia nas belas paisagens das Altas Terras, encontrou a linguagem que viria a transpor nas densas texturas orquestrais da peça. Essa densidade já é notável desde os primeiros instantes da obra, com linhas melódicas se sobrepondo lentamente para formar uma paisagem sombria e enevoada, até o momento que uma nota longa sustentada nas madeiras é marcada por um breve silêncio, uma respiração que faz emergir o tema principal, iniciado nas cordas e movido como o leito de um rio que percorrerá a sinfonia até o seu final. O segundo movimento é mais enérgico e faz referência à música popular escocesa, com características das melodias que eram tocadas nas gaitas de fole, instrumento símbolo do país. A pulsação entre claro e escuro dentre suas tonalidades marca a expressão dessa sinfonia, que traz em seu terceiro movimento uma cena de ritmo mais cadenciado, alternando entre momentos soturnos e bucólicos. O último movimento se inicia com grande agitação e afirmando a tonalidade de Lá menor que intitula a obra, mas termina com um grande coral em Lá maior, fazendo alusão a um exultante cântico de união do povo escocês.
Raphael Resende, trompista da OSN
Novembro 2025
PROGRAMA
Jean Sibelius (1865 – 1957)
Finlândia, op. 26
Bela Bartók (1881-1945)
Danças Romenas
I. Joc Cu Bâtă
II. Brâul
III. Pe Loc
IV. Buciumeana
V. Poargă Românească
VI. Mărunțel
VII. Mărunțel
Felix Mendelssohn (1809- 1847)
Sinfonia n°3 em Lá menor, op 56. “Escocesa”
I. Andante con moto/Allegro un poco agitato
II. Scherzo, Vivace non troppo
III. Adagio
IV. Allegro vivacissimo /Allegro maestoso assai
16 de Novembro de 2025
Domingo | 10h30
Cine Arte UFF
Rua Miguel de Frias, 9 – Icaraí – Niterói
Ingressos: R$30 (inteira) – R$ 15 (meia)
Canais de venda: No Site e Bilheteria