Evento
O repertório escolhido para este programa apresenta canções e música de danças da tradição céltica das Ilhas Britânicas, entre os séculos XVI e XVIII, que circularam amplamente em diferentes contextos sociais. Essas obras se desenvolveram tanto por meio da tradição oral, quanto a partir da fixação destas em publicações musicais impressas, revelando práticas musicais marcadas pela convivência entre memória, uso e registro escrito.
John Playford (1623–1686) foi um dos mais importantes editores musicais da Inglaterra do século XVII, responsável pela preservação e difusão de grande parte do repertório instrumental e vocal inglês que conhecemos hoje. Atuou em Londres durante o período da Guerra Civil e da Restauração. Playford publicou coleções fundamentais como The English Dancing Master (1651), reunindo danças, melodias e canções que circulavam tanto em contextos populares quanto cortesãos. O público poderá ouvir alguns exemplos de suas coletâneas como as peças Hole in the wall, Newcastle, Grimstock, A trip to Kilburn que remetem à tradição céltica.
A história e a tradição da música galesa, em particular, se fundem na canção “The Marsh of Rhuddlan” que se refere ao massacre ocorrido na batalha que aconteceu nos anos finais do séc. VIII na planície pantanosa Rhuddlan, ao norte do país de Gales. O caráter melancólico desta melodia reflete as angústias da derrota trágica e da opressão anglo-saxônica sofrida pelos galeses ao longo dos séculos até sua completa anexação à coroa inglesa pelo Rei Eduardo I, o primeiro Príncipe de Gales, no século XIII. A tradição conta que esta canção plangente, a qual inspira o título do programa, foi composta pelo bardo de Caradoc, rei do Norte do país de Gales, morto no campo de batalha, imediatamente após a sua derrota, em 795 d.C. Este massacre marcou profundamente a memória do povo galês tornando-se símbolo de sua resistência cultural.
A Souldiers Galiard do compositor inglês Tobias Hume (1569-1645) nos conduzirá à história da Batalha de Rhuddlan
As canções cortesãs do séc. XVI “Now, o Now I need must part”, “Sleep, wayword thoughts” de John Dowland e Have you seen but a while de Robert Johnson dialogam perfeitamente com canções tradicionais irlandesas como She moved through the fair, Broom of Cowndenknowes e Sally Gardens revelando uma linhagem poética e musical atemporal.
Convidamos nosso público para que desfrutem da diversidade de estilos e temas presentes na obra de inspirados poetas-músicos de séculos passados.
Música Antiga da UFF
Março, 2026
PROGRAMA
Gypsies Lily Katherine’s Birdie – Anônimo/Manuscrito Rowallan
A Souldiers Galiard – Tobias Hume (1569-1645)
The March of Rhuddlan – anônimo Whelsh
Hole in the wall – ed. (1651) de John Playford (1623-1686)
Now, o Now I needs must part – John Dowland (1563-1626)
The frog galliard – John Dowland
Newcastle – ed. (1651) de John Playford
Sleep, wayward thoughts – John Dowland (1563-1626)
Woodycock – anônimo do sec. XVI
Goe from my window – anônimo do séc. XVI
Grimstock – ed. (1651) de John Playford
Watkin’s Ale – anônimo do sec. XVI
A scots tune / Have you seen but a while anônimo/Manuscrito Rowallen
Publicação Robert Johnson (1583-1633)
A trip to Kilburn – ed. (1651) de John Playford
Broom of cowndenknowes – anônimo do sec. XVII
She moved through the fair – canção tradicional irlandesa
Christchurch bells – ed. (1651) de John Playford
Sally Gardens – canção tradicional irlandesa
Músicos
Cecília Aprigliano (viola da gamba)
Leandro Mendes (voz e flautas doces)
Roger Burmester (alaúde)
Rosimary Parra (alaúde)
Sonia Leal Wegenast (voz e percussão)
01 de Março de 2026
Domingo | 10h30
Cine Arte UFF
Rua Miguel de Frias, 9 – Icaraí – Niterói
Ingressos: R$30 (inteira) – R$ 15 (meia)
Canais de venda: No Site e Bilheteria