
Alunas recebem premiação durante o CONFICT 2026
Alunas do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional da UFF, em Campos dos Goytacazes (RJ), foram premiadas no programa Mais Ciência, destinado a alunos da graduação. A cerimônia aconteceu durante o XVI Congresso Fluminense de Iniciação Científica e Tecnológica (CONFICT), no dia 29 de maio, no Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).
A apresentação e premiação dos discentes inscritos no programa têm como objetivo reconhecer projetos e fortalecer a trajetória de jovens bolsistas, além de estimular a continuidade da produção científica entre jovens pesquisadores. Aluna do curso de Psicologia, Rayssa Silva de Medeiros, ficou em terceiro lugar com o projeto “A Arte como recurso de Acolhimento e Inclusão para alunos da rede municipal de ensino do município de Campos dos Goytacazes”.
O projeto foi orientado pelo docente Crisóstomo Lima do Nascimento, do Departamento de Psicologia de Campos dos Goytacazes, e examinou o uso da arte como estratégia de acolhimento no ambiente escolar e aponta seu potencial para fortalecer vínculos, ampliar a expressão emocional dos estudantes e apoiar o processo de aprendizagem.
Para a estudante, o interesse pelo tema surgiu da própria vivência enquanto pessoa LGBT+. “A ideia de trabalhar com a arte enquanto recurso de pertencimento vem da minha experiência como mulher lésbica. Na UFF, encontrei um local seguro para me expressar e vivenciar os espaços artísticos e culturais que contribuíram para o desenvolvimento da minha pesquisa. Nela, pude perceber que a expressão através da arte possibilita nomear e manifestar sentimentos sobre o que é e pode ser viver em um corpo que foge à norma, e como espaços de acolhimento são importantes durante a formação escolar”, afirma.
Já as pesquisas “Diagnóstico do meio como etapa preliminar para a construção de um Plano Municipal de Redução de Riscos em Campos dos Goytacazes, RJ” e “Memórias Pretas: Narrativas Insurgentes na cidade de Campos dos Goytacazes”, realizadas pelas alunas Lara Nunes Barroso e Bruna Soares Almeida da Silva, respectivamente, receberam menção honrosa.
Lara é graduanda em Geografia e teve como orientador o professor Eduardo Bulhões, especialista em Geologia e Geofísica Marinha. De acordo com a discente, a UFF foi fundamental na sua trajetória acadêmica. “Foi muito gratificante desenvolver uma pesquisa aplicada ao planejamento urbano e à segurança da população, voltada para a melhoria da qualidade de vida, mostrando que a pesquisa científica pode transformar a sociedade. Agradeço a todos os docentes que contribuíram para minha formação, que me ensinaram a compreender a ciência como ferramenta para identificar problemas e construir soluções”, compartilha.
Discente de Psicologia, Bruna foi orientada pela docente do curso de Psicologia de Campos dos Goytacazes, Lurdes Perez Oberg, que tem suas pesquisas voltadas para a área da psicologia social comunitária. Para Soares, o projeto Memórias Pretas permitiu a ela experienciar verdadeiramente as implicações de ser uma pesquisadora negra na academia, os afetos que circundam a produção acadêmica e as especificidades de fazer tudo isto no território campista.
“Esse projeto iniciou o meu percurso na pesquisa, e foi com ele que aprendi que o pesquisar ultrapassa a busca e organização das informações. A partir dele, surgiu o projeto de extensão Povoar e o grupo de estudos Memórias Negras, abarcando o tripé extensão, ensino e pesquisa, pensadas como ferramentas anti-epistemicídio, buscando fazer torções na hegemonia do pensamento branco, ocidental e patriarcal. Dessa forma, participar do projeto me formou em vários aspectos, seja na escrita, na organização de atividades, nos estudos do feminismo negro e na minha relação com a cidade, que se transformou diante deste processo”, conclui.