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Peça Adulto | O Cachorro que se Recusou a Morrer

Peça Adulto | O Cachorro que se Recusou a Morrer

O argumento de “O Cachorro que se Recusou a Morrer”, espetáculo do ator e autor Samir Murad, que divide a direção com Delson Antunes, deriva de suas memórias e das histórias contadas por seu pai, um imigrante libanês em sua luta pela sobrevivência numa terra estranha. Conflito, êxodo, o novo mundo, casamento por encomenda, saúde mental afetada, são conteúdos que, como um mascate andarilho, o ator mambembe carrega em sua mala e pretende vender ao seu público. Dessas referências nasce um contato intimista e revelador entre o artista e o espectador.

Um casamento por encomenda e a tríade formada pelo pai, a mãe e a irmã mais velha, afetada mentalmente por uma criação violenta, são algumas marcas que perpassam toda a relação familiar do autor-ator, extraídas de suas memórias e de relatos gravados pelos próprios familiares, antes de falecerem. Conflitos pessoais que reverberam no público, ajudando a resgatar memórias, sentimentos e emoções, por meio de recursos cênicos, apoiados no trabalho do ator, que itinera por distintos registros de atuação que vão da comédia ao drama, com ênfase no trabalho corporal e vocal. 

O texto e a cena, através de uma linguagem poética e metafórica, trazem à tona aspectos tradicionais da cultura árabe, forjada em dogmas religiosos e machistas que surpreendentemente permeiam boa parte das famílias brasileiras. Projeções de imagens fundidas com a forte presença da trilha sonora, criam uma atmosfera onírica, repleta de signos e símbolos que envolvem o espectador em um mergulho pessoal e profundo em sua própria genealogia.

O texto-espetáculo faz ainda menção aos anos de chumbo da ditadura militar brasileira, tentando mostrar como o fantasma da alienação política, pode reforçar o Medo no âmbito da Família, principalmente entre os imigrantes. Partindo do núcleo familiar para o sociopolítico, o espetáculo traz à tona questões atuais como Imigração, guerras, doenças advindas dos choques culturais e se propõe a discutir na forma orgânica de uma atuação visceral, o conceito árabe de Maktub, que afirma que o Destino, está escrito. Discute assim, de forma lúdica, questões filosóficas como o caminho do meio, o meio do caminho, o caminho possível, enfim, escolhas que nos assaltam nesse momento plural de uma pós- modernidade estilhaçada, na Vida e no Teatro.

Após temporadas de sucesso de 2023 a 2025, nos teatros do Centro Cultural Justiça Federal, Café Pequeno, Dulcina, Brigitte Blair, ASA, Marilu Moreira e Glauce Rocha todos no RJ e cidades próximas, além do Teatro B3 em São Paulo, o espetáculo pretende levar seu ator mambembe para todo o Brasil.

“Quero lhes apresentar essa história porque acredito que ela cumpre a função essencial do Teatro: emocionar e provocar uma reflexão sobre a condição humana. Depois da trilogia Teatro, Mito e Genealogia – a partir de uma pesquisa de linguagem cênica, baseada em conceitos e práticas teatrais de Antonin Artaud –, representada pelos meus trabalhos anteriores: Para Acabar de Vez com o Julgamento de Artaud (2001); Édipo e seus Duplos (2018); e Cícero – A Anarquia de um Corpo Santo (2019), proponho com O cachorro que se recusou a morrer uma nova forma de narrativa, mais simples, contida e essencial. Meu foco, aqui, é a alma do texto. O diálogo com o público”, declara Samir Murad.

“… e na casa distante a lembrança do Cachorro que se recusou a morrer ”

Trecho de poema do livro O Retorno de Netuno, de Samir Murad.

FICHA TÉCNICA

Criação, texto e atuação: Samir Murad
Direção: Delson Antunes e Samir Murad
Cenografia: José Dias
Figurino e adereços: Karlla de Luca
Desenho de Luz: Thales Coutinho e Franscisco Hashigushi
Trilha Sonora: André Poyart e Samir Murad
Direção de Movimento: Samir Murad
Videocenário: Mayara Ferreira
Assistente de direção: Gedivan de Albuquerque
Assessoria de Imprensa e mídias sociais: Rodolfo Abreu | Interativa Doc
Programação Visual: Fernando Alax
Fotos: Fernando Valle
Cenotécnico: Mario Pereira
Costureira: Maria Helena
Produção executiva: Wagner Uchoa
Operação de luz e audiovisual: Franscisco Hashigushi
Realização: Cia Teatral Cambaleei, mas não caí…


24 a 26 de Julho de 2026
Sexta 20h | Sábado e Domingo 19h
Teatro da UFF
Rua Miguel de Frias, 9 – Icaraí – Niterói
Ingressos: R$ 40 (inteira) – R$ 20 (meia)
Canais de venda: No Site e Bilheteria
Classificação Indicativa:  14 anos

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