
Docente na cerimônia de posse na Academia Brasileira de Ciências
A professora e pesquisadora do Departamento de Química Orgânica da UFF, Vanessa do Nascimento, foi uma das ganhadoras do Martin D. Rudd Early Career Researcher Prize, honraria concedida pela revista Phosphorus, Sulfur, and Silicon and the Related Elements, que reconhece jovens pesquisadores de destaque no mundo. Neste ano, a cerimônia de premiação acontecerá nos dias 10 e 11 de setembro, no Japão.
O prêmio também inclui apoio financeiro e um convite para apresentação no Workshop of the Selenium and Sulfur Redox and Catalysis Network (WSeS). Vanessa é formada em Química Industrial com mestrado e doutorado em Química, e integra a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira de Química. Atualmente, atua como docente e coordenadora do grupo de pesquisa SupraSelen, vinculado à UFF e fundado por ela há dez anos, que desenvolve estudos em Síntese Orgânica, Química Supramolecular e Organocalcogênios.
De acordo com a pesquisadora, a notícia da sua indicação chegou como uma grata surpresa, já que para concorrer ao Martin D. Rudd Early Career Researcher Prize é preciso ser indicado internacionalmente por outros pares que reconhecem o impacto do seu trabalho. “Receber este reconhecimento foi inenarrável. Essa conquista carrega um significado muito importante na minha trajetória, em que precisei passar por muitas lutas e abdicações, especialmente por ser mulher, mãe e atuar em uma área como a síntese orgânica, que ainda é marcada pela predominância masculina”, compartilha.
A docente também ressaltou a oportunidade de apresentar a pesquisa “Híbridos de isoxazol decorados com organocalcogênios como novos inibidores da monoamina oxidase-A: síntese e estudos preliminares de inibição” no Japão. “Considero que a ocasião poderá abrir novas portas, além de ampliar o reconhecimento e fortalecer a aplicabilidade das nossas pesquisas em benefício da sociedade. Além disso, é uma honra poder colocar o nome da UFF neste espaço de destaque internacional”, afirma.
As pesquisas desenvolvidas por Nascimento são alinhadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) — plano de ação global estabelecido pela ONU em 2015 — e contemplam temas como a redução de resíduos e o uso de matérias-primas renováveis e solventes mais seguros. Ela também lidera estudos pioneiros ligados à obtenção de moléculas e supramoléculas contendo selênio para as mais diversas aplicações, como antioxidantes, anti-inflamatórios, catalisadores etc.
“Todos os projetos do SupraSelen são voltados para atender às demandas e às dores da sociedade. Nossa atuação é diversificada, e temos projetos voltados para a área da química medicinal, em que atuamos na obtenção de novos fármacos com maior potencial e menos efeitos colaterais, e também no desenvolvimento do tratamento de doenças negligenciadas, como zika, maiaro, chikungunya, dengue, tuberculose, malária e esporotricose”, explica.
A docente explica que o grupo também atua na promoção de métodos mais sustentáveis para a obtenção de moléculas de alto valor agregado. “Nosso trabalho inclui tanto potenciais fármacos quanto catalisadores e outros tipos de reações de interesse industrial. Os estudos são baseados na química dos calcogênios, elementos parentes do oxigênio, selênio, enxofre e telúrio. Atualmente, estamos trabalhando na obtenção de sensores fluorescentes, que podem ser utilizados tanto na detecção de poluentes quanto na detecção de adulteração em combustíveis”, afirma.
Professora adjunta da UFF desde 2016, Vanessa destacou o apoio contínuo que recebe da universidade na área de pesquisa. “Sempre digo que vim trabalhar no lugar certo, pois tenho a sorte de atuar em um ambiente muito favorável, que estimula meus projetos e me faz buscar o meu melhor enquanto cientista. Também ressalto o suporte da Pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Proppi), que viabiliza as Bolsas de Iniciação Científica, da Agência de Inovação (Agir), com as Bolsas de Iniciação Tecnológica e da Pró-Reitoria de Extensão (Proex), que nos auxiliam na divulgação do nosso trabalho a partir das Bolsas de Extensão ”, conclui.