O curta-metragem Trivakra, da estudante de Cinema e Audiovisual da UFF Sofia Arantes, foi selecionado e exibido no 55° International Film Festival Rotterdam (IFFR), um dos festivais de cinema mais prestigiados do mundo. A estreia internacional da obra aconteceu no dia 30 de janeiro, na sessão “Breaking The Frame”, dedicada a filmes que quebram com a gramática convencional das imagens cinematográficas, em Rotterdã, Holanda.
O festival tem como foco o cinema independente, que neste ano teve como um de seus destaques o filme O Agente Secreto, do diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho. A obra de Sofia integrou a mostra de Curtas e Médias-Metragens, que contou com 120 projetos do mundo inteiro, e abordou de maneira singular relações entre corpos e gêneros dissidentes com o uso de novas tecnologias.
O curta-metragem foi inteiramente feito dentro do quarto da estudante, na cidade de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro. Gravado com uma webcam de baixa resolução e um microscópio digital, Sofia realizou o filme a partir de fragmentos de atuação registrados com dispositivos não convencionais de captura de imagem. A obra também utilizou materiais de arquivo da autora enquanto criança, gravados pelo seu avô com uma câmera VHS.
Trivakra é fruto de uma pesquisa conceitual acerca de temas como teorias de gênero, teorias cibernéticas e novas tecnologias. A autora explica que a escolha por um caminho experimental no âmbito do fazer cinematográfico surgiu a partir de diferentes inspirações, como o contato com os cinemas de vanguarda norte-americano dos anos 60 e 70 e o movimento da videoarte, que estimularam o registro dos acontecimentos da vida comum, sem depender de complexos maquinários e estruturas.
De acordo com Sofia, a exibição do filme no IFFR representa um marco significativo na sua trajetória como estudante: “Fico feliz pelo alcance que um curta-metragem que não se enquadra nos moldes tradicionais de produção universitária atingiu. Essa conquista demonstra que é possível ocupar festivais de prestígio a partir de uma implicação direta com o desejo de criação de uma nova linguagem, assumindo um risco imaginativo”. Para ela, a seleção do seu curta-metragem trouxe uma perspectiva otimista de futuro no audiovisual. “Ao ser exibido no IFFR, Trivakra promoveu o lançamento da minha carreira em um importante circuito de cinema e arte contemporânea. Essa conquista é especialmente importante enquanto cineasta trans e artista emergente que produz com mínimos recursos e fora dos grandes centros industriais cinematográficos”, conclui.
