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Por dentro da SBPC: Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais

Conheça a comissão temática responsável por divulgar o saber científico produzido pelos grupos que têm uma relação ancestral com o território brasileiro

Foto destaque: Indígena realiza atividade com crianças durante o 69º encontro anual da SBPC (Reprodução/ Raíssa César/UFMG)

Por Isabela Bitencourt e João Pedro Chiabai

Em julho deste ano, a Universidade Federal Fluminense (UFF) recebe a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o maior evento científico da América Latina. O encontro ressalta a importância da diversidade e representatividade na pesquisa, inovação e educação, com o tema de “Ciência Para Todos: Soberania, Desenvolvimento e Inclusão”. 

Uma das missões da SBPC é ampliar a pluralização de vozes a participar do debate acadêmico. Para efetivar o objetivo, diversas comissões representativas realizam atividades durante os encontros anuais da SBPC. Dentre elas, destacam-se os núcleos Jovem; Cultural; Gênero, Diversidade e Equidade; e Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais. Este último completa 12 anos em 2026, e prepara uma série de iniciativas relacionadas ao tema da edição.

Além das atrações tradicionais, como conferências, mesas-redondas e minicursos, as iniciativas dessa comissão também contam com exposições, rodas de conversa, oficinas, feiras de artesanato, apresentações culturais e mostras de saberes. O objetivo é promover o diálogo entre conhecimento científico e saberes tradicionais, reconhecendo sua relevância histórica e contemporânea.

História da SBPC Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais

No ano de 2014, a SBPC incorporou um espaço destinado à ciência produzida por povos indígenas à sua reunião anual. A edição, realizada na Universidade Federal do Acre (UFAC), marcou o início da SBPC Indígena, responsável pela realização de reflexões sobre práticas científicas, conhecimentos tradicionais e éticas em pesquisa de temas vinculados aos povos originários.

A coordenadora da 78ª edição da SBPC, Andréa Macedo, ressalta que a ideia de concentrar as programações indígenas em um espaço facilitou a identificação do público, aumentando a participação. “No Acre, em 2014, por ser uma região que tem muitos indígenas, houve essa ideia de se criar uma SBPC indígena para concentrar as atividades relacionadas a essa população em um eixo. Assim, as pessoas puderam identificar que ali tinha um núcleo mais especificamente voltado para essa atividade, para esse grupo, e foi um sucesso”.

Com a consolidação da relevância do espaço Indígena nos anos seguintes, a SBPC incluiu de forma mais explícita os saberes afro-brasileiros às exposições temáticas. Foi assim que, no ano de 2017, nasceu a SBPC Afro e Indígena, inaugurada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante a 69ª edição do encontro. Suas atividades incluíram os povos quilombolas e conhecimentos provenientes de dezenas de gerações ancestrais, refletindo a convergência de agendas relacionadas à diversidade, à inclusão e à justiça social.

Até 2019, o espaço funcionou como um evento separado na programação da Reunião Anual. Durante a pandemia (2020 e 2021), foi integrado à programação científica em formato virtual. A partir de 2022, com a retomada presencial, as atividades científicas passaram a ocorrer nos mesmos espaços da programação geral, com atividades culturais e oficinas sendo mantidas em um ambiente próprio.

Foto: Tenda da SBPC Afro e ìndígena durante a 76ª edição da reunião anual da SBPC (Reprodução/Vinicius Gonçalves/UFPA)

Com a edição do ano passado, o segmento ganhou o nome de SBPC Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais, ao incorporar vozes e saberes de ribeirinhos, benzedeiras, bacamarteiros, artesãos e trabalhadores rurais. A 77ª edição, realizada na cidade de Recife, em Pernambuco, trouxe o tema “Progresso é Ciência em todos os Territórios”, que se concentrou em debater as desigualdades de um país tão diverso quanto o Brasil.

Essa bagagem histórica faz com que a 78ª edição do congresso da SBPC chegue a Niterói com grandes expectativas. “A primeira coisa é dizer que nós ficamos muito felizes com um número muito grande de atividades propostas pela academia e pela sociedade. Foram muitas atividades para distribuir pelo espaço e tempo de duração do evento. Nós estamos ansiosos para saber o resultado dessas atividades que começaram a ser propostas no ano passado. No total, foram mais de mil atividades considerando todas as temáticas do evento, e, dentre elas, um número bastante grande de atividades afro, indígenas e das comunidades tradicionais”, celebra a coordenadora.

O que é previsto para a 78ª edição

Pela primeira vez, a cidade de Niterói receberá uma reunião anual da SBPC. A organização do evento ocorre na UFF, para que pesquisadores, docentes, estudantes e a comunidade possam participar da 78ª Reunião Anual. As diferentes segmentações do congresso compõem a programação planejada para as datas, trazendo ideias, debates e discussões acerca de temas variados. 

A comissão da SBPC Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais, coordenada pela professora da UFF, Érika Frazão, é responsável pela seleção das atrações científicas que serão apresentadas neste espaço temático. Nele, serão incluídas oficinas e atividades interativas, assim como programações culturais, formalizadas em parceria com a SBPC Cultural. “Nós teremos atividades ligadas à capoeira, como oficinas de instrumentos, além de ações em parceria com museus, iniciativas voltadas para crianças, e várias mesas-redondas com diferentes temáticas, desde educação, política, direito e saúde, até meio ambiente”, revelou a professora.

Além disso, Frazão também ressalta a necessidade da divulgação científica produzida pelas comunidades afro, indígenas e tradicionais na principal reunião de pesquisadores do país. “Nossa meta enquanto instituição é que a UFF possa ter cada vez mais indígenas e quilombolas dentro da universidade, produzindo e tendo seus saberes respeitados. Então, é uma transformação e ampliação do conhecimento a partir da produção científica que essas comunidades têm”.

De acordo com o cronograma do edital ‘N° 01/2025 SBPC – Submissão de Propostas de Atividades Científicas’, a divulgação das atividades específicas a serem realizadas durante a semana da SBPC será feita no mês de abril. A previsão é de que 50 mil pessoas se reúnam na UFF entre os dias 26 de julho e 1º de agosto para discutir temas centrais da agenda nacional nas áreas de ciência, educação, tecnologia e inovação.

Para acompanhar a agenda e outras notícias acerca do evento, acesse o site institucional da SBPC na UFF, bem como o Instagram e o Facebook.

Fonte: https://sbpc.uff.br/por-dentro-da-sbpc-afro-indigena-e-comunidades-tradicionais/

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