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Primeira titularidade em Dança na UFF marca consolidação da área como campo de pesquisa

Apresentação do Coletivo Muanes - Laboratório de Danças em Diáspora - Foto: Divulgação.

Historicamente associada à performance e ao entretenimento, a Dança vem ampliando sua presença no ambiente universitário como campo de produção acadêmica, criação artística e transformação social. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), esse processo ganha um marco com a primeira titularidade docente na área de Dança no Instituto de Arte e Comunicação Social (Iacs). O reconhecimento sinaliza o amadurecimento das Artes do Corpo no ensino, na pesquisa e na extensão da universidade pública.

O marco ocorre em um momento de fortalecimento da Dança também no cenário nacional. Em 28 de abril de 2026, foi sancionada a Lei nº 15.396/2026, que dispõe sobre o ofício dos profissionais da Dança e reconhece a diversidade de atividades que integram o campo, incluindo coreografia, interpretação, direção, dramaturgia, ensino, curadoria e crítica, entre outras.

Para a chefe do Departamento de Arte, Maria Alice Nunes Costa, a primeira titularidade em Dança representa um passo importante nesse processo de consolidação. Segundo ela, a promoção da professora Denise Mancebo Zenicola “marca um momento significativo para a consolidação da pesquisa em Dança na instituição”, ao reunir criação artística, investigação acadêmica e formação de novos pesquisadores.

Curso de Extensão Danças Contemporâneas – Módulo II oferece 30 vagas para atividades realizadas entre agosto e novembro, no Iacs, Campus do Gragoatá.

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Reconhecer a Dança como campo acadêmico significa superar uma visão que a restringia ao entretenimento ou à execução de uma técnica. A pesquisa na área envolve a produção de teorias, métodos e epistemologias próprias, além da análise de práticas corporais, da construção de conceitos, da investigação de processos criativos e da reflexão sobre modos de representação e dramaturgia do corpo.

“Como área do conhecimento, a Dança produz teorias, métodos e epistemologias próprias, com rigor comparável ao de outras disciplinas acadêmicas”, destaca a professora Denise Mancebo Zenicola, docente do Iacs e recém-promovida a professora titular da UFF.

Segundo a docente, “a produção científica em Dança envolve não apenas a análise de práticas corporais, mas a construção de conceitos, a investigação de processos criativos e a reflexão sobre modos de representação e dramaturgia do corpo”.

A partir do corpo e do movimento, essas pesquisas dialogam com temas como memória, cultura, ancestralidade, identidades, relações sociais, criação artística e diferentes formas de presença no mundo. Trata-se de um campo interdisciplinar, que estabelece conexões com áreas como antropologia, saúde, sociologia, educação e estudos da memória.

A consolidação da área na UFF produz impactos que ultrapassam o espaço acadêmico. A pesquisa em Dança contribui para a formação de pesquisadores e artistas, democratiza o acesso à arte por meio da extensão, amplia o diálogo entre universidade e sociedade e participa da preservação e difusão de linguagens artísticas como patrimônio cultural imaterial.

Ao integrar ensino, pesquisa e extensão, a Dança assume um lugar na universidade pública de prática de conhecimento, criação e reflexão crítica. Nesse sentido, a primeira titularidade docente na área não representa apenas um avanço na carreira acadêmica, mas a expressão de um processo mais amplo de reconhecimento e consolidação da Dança como campo de pesquisa e produção de conhecimento na UFF.

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