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Pesquisa da UFF integra exposição sobre memórias e retomadas Katxuyana e Kahyana no Museu Goeld

O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém (PA), recebe, a partir de 26 de agosto, a exposição “Katxar kum neero | Nossos lugares verdadeiros”, dedicada às histórias e aos processos de retomada dos povos indígenas Katxuyana e Kahyana. A ação é realizada pela Associação Indígena Katxuyana, Tunayana e Kahyana (AIKATUK), em parceria com o Instituto Iepé, o Museu Paraense Emílio Goeldi e a Universidade Federal Fluminense (UFF), no âmbito do Ano Cultural Brasil–Reino Unido 2025–26, promovido pelo British Council.

A UFF participa do projeto por meio da professora Adriana Russi, do Departamento de Artes e Estudos Culturais, que atua diretamente nas pesquisas e na assistência curatorial. Concebida e narrada pelos próprios povos indígenas, a mostra reúne artefatos, fotografias, documentos e relatos sobre os processos de deslocamento, resistência e retomada territorial e cultural. A colaboração integra um processo de pesquisa e diálogo construído há mais de uma década entre a docente e as comunidades.

A aproximação teve início em 2009, quando Adriana Russi esteve em Cachoeira Porteira, no desenvolvimento do projeto de extensão Educação Patrimonial em Oriximiná. Posteriormente, realizou seu doutorado sobre a casa tradicional tamiriki e, a partir das demandas apresentadas pelos próprios indígenas, passou a pesquisar a trajetória de bens culturais Katxuyana e Kahyana que foram retirados de seus territórios e incorporados a coleções de museus no Brasil e na Europa.

“Conheci os Katxuyana em 2009, em Oriximiná, quando estava realizando atividades do projeto de extensão Educação Patrimonial. Fiz meu doutorado com eles sobre a casa tradicional tamiriki. Naquele momento, eles me pediram para saber mais sobre seus bens culturais que tinham sido levados para museus no Brasil e na Europa. Desde então, sigo dialogando e aprendendo com eles”, relata a professora.

Em 2025, a UFF autorizou a participação da pesquisadora no projeto “Artes do Txamatxama”, iniciativa que integra o Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O projeto busca documentar e fortalecer conhecimentos relacionados às artes plumárias dos povos Katxuyana, Kahyana e Yatxkuryana, com protagonismo indígena e participação de pesquisadores indígenas e não indígenas.

Concebida a partir das perspectivas dos próprios povos, a exposição apresenta uma história marcada, desde a década de 1960, por deslocamentos forçados, dispersão de grupos e famílias e retirada de objetos e pertences tradicionais de seus territórios.

Apesar dos deslocamentos, os vínculos com os territórios, os rios, os antepassados, os conhecimentos e os modos próprios de existência permaneceram vivos. Nas últimas décadas, os Katxuyana e Kahyana fortaleceram movimentos de retorno e retomada da presença física, política e cosmológica em seus territórios tradicionais.

Esse processo ganhou um marco recente com a homologação da Terra Indígena Kaxuyana-Tunayana, em 2025, durante a COP30. A retomada territorial também está associada à recuperação e ao fortalecimento de práticas culturais, saberes e formas próprias de relação com o território.

Reunindo artefatos, fotografias, objetos sagrados, documentos históricos, registros audiovisuais e narrativas indígenas, a exposição promove o reencontro entre pessoas, lugares, memórias e patrimônios que percorreram diferentes caminhos ao longo do tempo.

O percurso expositivo foi construído a partir de uma concepção desenvolvida pelos próprios indígenas, após oficinas realizadas nas aldeias. A proposta de visitação é cíclica, buscando conectar o público às histórias de retiradas, perdas e lutos, mas também às experiências de resistência, retorno e retomada.

A exposição também propõe uma reflexão sobre o papel dos museus e das coleções etnográficas. Ao aproximar comunidades indígenas de objetos preservados em instituições brasileiras e europeias, a iniciativa contribui para transformar esses espaços em ambientes de diálogo, colaboração, reconhecimento e reparação histórica.

A mostra conta ainda com um projeto de acessibilidade voltado às pessoas com deficiência (PcDs). O percurso inclui peças táteis, inclusive reproduções de fotografias, e recursos de audiodescrição, ampliando as possibilidades de contato e compreensão do conteúdo apresentado.

A participação da UFF na exposição reforça o papel da pesquisa e da extensão universitária na construção de processos colaborativos com os povos indígenas, especialmente em iniciativas que articulam patrimônio, memória, território e conhecimento.

No centro da exposição está o txamatxama, artefato plumário de profundo significado cultural, espiritual e político para os povos Katxuyana e Kahyana. Associado à identidade, à transmissão de conhecimentos e a práticas tradicionais, o objeto também representa um importante elemento de conexão entre pessoas, territórios, memórias e diferentes mundos. Crédito: Woltaire Masaki/MPEG

No centro da exposição está o txamatxama, artefato plumário de profundo significado cultural, espiritual e político para os povos Katxuyana e Kahyana. Associado à identidade, à transmissão de conhecimentos e a práticas tradicionais, o objeto também representa um importante elemento de conexão entre pessoas, territórios, memórias e diferentes mundos. Crédito: Woltaire Masaki/MPEG

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