A UFF realizou, nesta quinta-feira (22), a abertura oficial do Novembro Negro de 2026, com a participação da escritora e professora Conceição Evaristo, uma das principais referências da literatura brasileira contemporânea. O encontro aconteceu no Teatro do Centro de Artes da UFF, em Icaraí, Niterói, e reuniu representantes da gestão universitária, estudantes, docentes, técnicos administrativos e o público em geral.
Organizado pela Superintendência de Equidade, Políticas Afirmativas e Diversidade (Sepad), o encontro deu início a uma programação de debates e atividades culturais que se estende até 23 de novembro. A cerimônia também foi marcada por homenagens à escritora, que completa 80 anos em novembro. Entre os momentos de celebração de sua trajetória, esteve a entrega de uma homenagem pelo secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro e ex-reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega.
Literatura, memória e resistência
Poeta, romancista, contista, ensaísta e professora, Conceição Evaristo construiu uma trajetória literária marcada por reflexões sobre memória, ancestralidade, identidade e desigualdade racial. Autora de obras como Ponciá Vicêncio, Becos da Memória e Olhos d’Água, é conhecida pelo conceito de escrevivência, que articula experiências individuais e coletivas e dá visibilidade às vozes de mulheres negras historicamente silenciadas.
Durante sua conferência, Conceição destacou a relação afetiva com a UFF, onde concluiu seu doutorado, e ressaltou o papel dos movimentos sociais na conquista de direitos e na implementação de políticas afirmativas nas universidades. A escritora também enfatizou a importância da participação da população branca, especialmente de pessoas que ocupam posições de poder, no enfrentamento das desigualdades raciais.
A autora também abordou a importância histórica dos quilombos e das formas de organização da população negra para a construção da sociedade brasileira. “As lutas e saberes construídos pela população negra são referências para a organização da sociedade brasileira. O movimento quilombola criou e continua criando paradigmas de luta. É na força do quilombo, assumido por negros e brancos, por brasileiros e brasileiras, que a sociedade vem se organizando”, destacou.
Ao final de sua participação, Conceição ressaltou a importância da presença de docentes negros nas universidades e da construção de alianças para o fortalecimento da luta antirracista. Em seguida, leu o poema Tempo de nos aquilombar, que aborda a resistência coletiva e a necessidade de construir espaços de união e pertencimento. A leitura terminou com uma referência à filósofa e ativista norte-americana Angela Davis: “A liberdade é uma luta constante”.
Após a cerimônia, a programação teve continuidade no jardim da Reitoria, com uma roda de samba do Quilombo do Grotão.
Equidade racial na UFF
A realização do Novembro Negro integra as iniciativas da UFF voltadas à valorização das identidades negras e ao enfrentamento das desigualdades raciais no ambiente universitário. Criada em 2025, a Sepad articula políticas e ações institucionais relacionadas à equidade, às ações afirmativas e à diversidade.
Para a superintendente Érika Frazão, o Novembro Negro é uma oportunidade de ampliar discussões que precisam estar presentes no cotidiano da universidade. “Falar de equidade racial é olhar para quem consegue entrar na UFF, quem permanece, quem ocupa os espaços de decisão e quais conhecimentos são valorizados. A programação busca ampliar essas discussões, aproximar a universidade dos movimentos sociais e contribuir para que as políticas de enfrentamento ao racismo produzam mudanças concretas na vida da comunidade acadêmica”, destaca.
Programação do Novembro Negro
A abertura com Conceição Evaristo marcou o início da programação do Novembro Negro 2026 da UFF, promovida pela Sepad e pela Assessoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Afide), que segue até 23 de novembro. A agenda reúne conferências, mesas-redondas, debates e atividades culturais sobre história e cultura afro-brasileira, educação e relações étnico-raciais.
Entre os destaques estão uma homenagem ao centenário de Milton Santos, a 1ª Conferência sobre o Patrimônio Afro-Yorubá e debates sobre letramento racial, cotas em concursos públicos e educação antirracista. A programação também inclui atividades sobre culinária afrodiaspórica, cinema e trajetórias de intelectuais negros.
O encerramento, em 23 de novembro, contará com uma exposição eletrônica de obras da artista Ayeola Moore e uma conferência do pesquisador Carlos Moore. Haverá emissão de certificados de horas complementares para os participantes, e os locais das atividades serão divulgados pelos canais oficiais da organização.
