A estudante de Ciências Sociais da UFF Eduarda Kilian Monteiro teve seu primeiro artigo acadêmico publicado pelo Centro de Excelência Jean Monnet (CEJM) da FGV Direito Rio, em parceria com a União Europeia. Desenvolvido em conjunto com Gabriel Berg e Julia Lopes, estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o trabalho recebeu nota máxima no Rio Course on Regional and International Dispute Settlement (Rio CRIDS).
Intitulado “The Paradox of Paralysis: How the WTO’s Appellate Body Crisis Enables China’s 15th Five-Year Plan”, o artigo analisa a crise do Órgão de Apelação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e seus efeitos sobre o sistema multilateral de comércio, com atenção especial à China e às implicações desse cenário para as relações comerciais internacionais.
Após passar por processo seletivo, Eduarda foi selecionada como bolsista do Rio CRIDS, programa cofinanciado pela União Europeia no âmbito do Erasmus+ e oferecido pela FGV Direito Rio. Com aulas integralmente em inglês e participação de professores e profissionais de diferentes países, o curso proporcionou o contato com os estudantes Gabriel Berg e Julia Lopes, da UFRJ, com quem desenvolveu o artigo como trabalho final. A pesquisa surgiu a partir de uma aula ministrada pelo diplomata Victor do Prado sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC) e recebeu nota máxima no curso.
“Escolhemos a China por afinidade acadêmica com o tema e pela publicação recente do 15º Plano Quinquenal, o que nos permitiu construir uma análise situada no contexto político atual”, explica Eduarda. Segundo a estudante, realizar todo o processo em inglês tornou a experiência mais desafiadora e, ao mesmo tempo, ampliou sua percepção sobre o alcance que a pesquisa poderia ter.
O Órgão de Apelação integra o sistema de solução de controvérsias da OMC e desempenhou papel central na revisão de decisões sobre disputas comerciais entre os membros da organização. A paralisação de seu funcionamento está no centro da análise desenvolvida pelos estudantes, que discutem como a crise pode afetar o sistema multilateral de comércio e criar espaço para estratégias adotadas por grandes potências econômicas.
A pesquisa relaciona esse cenário ao 15º Plano Quinquenal da China. Para Eduarda, compreender as políticas chinesas também é relevante diante da importância do país para as relações econômicas brasileiras. “Analisar as políticas de um dos nossos principais parceiros comerciais é, para mim, uma forma de compreender melhor as estratégias que esse país pretende adotar nos próximos anos e o que podemos aprender com elas”, afirma.
Além da boa avaliação como trabalho final do Rio CRIDS, o artigo foi publicado no blog do Centro de Excelência Jean Monnet e selecionado para integrar um livro organizado pelo CEJM. A pesquisa também foi apresentada no VIII Congresso de Iniciação Científica do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas, em São Paulo. Como outro reconhecimento pelo desempenho, Eduarda recebeu bolsa integral para o Curso de Inverno em Direito Internacional do Centro de Estudos em Direito e Negócios (CEDIN).

Eduarda Monteiro durante a apresentação do trabalho no VIII Congresso de Iniciação Científica do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas, em São Paulo – Foto: Divulgação.
Para a estudante, os resultados funcionam como incentivo para continuar pesquisando e compartilhando o conhecimento produzido na universidade. O grupo pretende seguir divulgando o tema e considera a possibilidade de aprofundar a investigação em trabalhos futuros.
“Poder estabelecer contato com estudantes de outras universidades da mesma área e desenvolver projetos em conjunto é um ganho que vai muito além do próprio artigo, e sinto que esse é apenas o começo de um caminho de pesquisa que pretendo continuar trilhando, retribuindo à universidade tudo o que ela me proporcionou”, afirma.
Natural do Rio Grande do Sul, Eduarda mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar na UFF. Ela atribui à formação na universidade parte da confiança que adquiriu para buscar oportunidades acadêmicas fora da instituição. Ao longo da graduação, participou de fóruns, eventos e outras iniciativas, além de explorar disciplinas optativas, organizações estudantis e projetos de extensão e pesquisa.
“Antes mesmo dessa pesquisa, e também durante o seu desenvolvimento, participei de fóruns, eventos e iniciativas ao lado de profissionais exemplares, que jamais imaginei ter a chance de conhecer e que me ensinaram muito sobre o campo das relações internacionais e sobre a vida acadêmica de forma mais ampla”, conclui.
