O Projeto Ciências sob Tenda realizou, em julho, mais uma edição do curso de férias “Curso de Investigação por Experimentação”, que chegou à sua terceira edição. Este ano, o tema foi “Do invisível ao visível: Descobrindo o mundo microscópico”, voltado para estudantes do Ensino Médio da rede pública. Ao longo do curso, os participantes vivenciaram atividades práticas e interativas no ambiente universitário.
O curso integra a Rede Nacional Leopoldo de Meis de Educação e Ciência (RNEC). A professora do Departamento de Neurobiologia da UFF e coordenadora do projeto, Lucianne Fragel, explica que “a proposta é oferecer, durante o período de férias escolares, oficinas experimentais de curta duração, com atividades lúdicas e científicas conduzidas por monitores da pós-graduação, sempre a partir de temas do cotidiano”. Desde 2021, o Ciências sob Tenda passou a integrar oficialmente a RNEC e, com apoio financeiro da iniciativa Ciência Pioneira, da Rede D’Or, iniciou suas atividades na UFF em 2024. A edição de 2025 foi concluída com resultados bastante positivos.
“Ao participar dos cursos, os alunos têm a oportunidade de vivenciar experiências práticas em laboratórios, serem introduzidos ao método científico e dialogarem com estudantes de graduação e pós-graduação que atuam como monitores. Essa vivência promove não apenas o encantamento pela ciência, mas também a apropriação da universidade como um espaço possível, acessível e acolhedor. Essa vivência contribui para desmistificar a ciência, romper barreiras simbólicas em relação ao mundo acadêmico e ampliar horizontes sobre futuros possíveis. Ao circular pelos campi e participar das atividades, os estudantes ampliam sua percepção sobre as trajetórias acadêmicas e passam a se ver como protagonistas nesse ambiente”, destaca Lucianne.
Como continuidade da experiência, alguns estudantes são selecionados para receber uma bolsa de Iniciação Científica Júnior, financiada pelo Ciência Pioneira. Os bolsistas iniciam estágios em laboratórios da universidade, sempre sob a supervisão de alunos de pós-graduação, que também atuam como tutores escolares. Na UFF, as atividades serão realizadas no Laboratório de Desenvolvimento e Regeneração Neural, do Instituto de Biologia, com participação em pesquisas sobre retinose pigmentar, uma doença degenerativa da retina.
Embora a atuação do projeto na UFF ainda seja recente, os resultados são promissores. “Nos cursos realizados na UFF, temos observado estudantes da rede pública extremamente interessados, participativos, criativos e curiosos. Eles se tornam protagonistas do próprio aprendizado, interagem com os monitores e percebem que a ciência faz parte do seu dia a dia — e que ela não é um “bicho de sete cabeças”. Muitos relatam que passaram a considerar a carreira científica após essa vivência, e alguns, inclusive, já ingressaram na universidade. Tivemos até casos de alunos que, após concluírem o ensino médio, voltaram para atuar como monitores, ampliando o ciclo formativo e multiplicando o impacto do projeto”, conclui a coordenadora.
