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Aula magna com Conceição Evaristo marca início do semestre na UFF

A escritora Conceição Evaristo durante a Aula Magna no Teatro da UFF. - Foto: Divulgação.

Após o sucesso de sua primeira participação, a escritora Conceição Evaristo, um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea, retornou à Universidade Federal Fluminense (UFF), no dia 13 de abril, para ministrar uma nova Aula Magna. O evento, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e pelo Coletivo Escrevivência, marcou a abertura do período letivo e reuniu estudantes, docentes e público externo em torno do tema “Escrevivência – O ato de comer a língua do mando e o direito à escrita”, que propõe pensar a linguagem como espaço de memória, disputa e existência.

Conceito desenvolvido por Evaristo, a escrevivência articula vivência e escrita como prática que atravessa experiências coletivas, histórias e processos de resistência. Nesse sentido, evidencia que escrever é um ato profundamente ligado ao povo, à memória e à coletividade, inscrevendo no texto as marcas do vivido, do sentido e do resistido. Em sua fala, a autora, que é professora visitante do Programa de Pós-graduação em Psicologia da UFF, destacou a emoção de retornar à instituição e relembrou momentos marcantes de sua trajetória acadêmica na instituição. “É uma alegria voltar à UFF para proferir esta aula magna e reencontrar espaços e pessoas que fizeram parte da minha formação”, afirmou.

Ao recuperar experiências do período de doutorado e iniciativas anteriores às políticas de ações afirmativas, enfatizou a importância da construção histórica. “Quando dizemos que nossos passos vêm de longe, falamos desse trabalho de base, muitas vezes invisível, que sustenta o presente”. Para a autora, “o futuro é ancestral”, sendo resultado de trajetórias coletivas que antecedem as conquistas atuais.

Para o reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, a presença da escritora reforça o compromisso institucional com a transformação social. “Vivemos um momento em que o reconhecimento de quem constrói conhecimento e nos ajuda a compreender o país se torna fundamental. A aula magna de hoje expressa uma escolha importante: reconhecer a universidade como espaço de escuta, de produção de sentidos e de valorização de vozes historicamente silenciadas”, destacou.

A professora Conceição Evaristo, o reitor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega e a professora Luiza Rodrigues de Oliveira, na abertura da Aula Magna. - Foto: Divulgação.

A professora Conceição Evaristo, o reitor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega e a professora Luiza Rodrigues de Oliveira, na abertura da Aula Magna. – Foto: Divulgação.

O reitor ressaltou ainda que esse compromisso se traduz em ações concretas da universidade, como a criação da Superintendência de Equidade, Políticas Afirmativas e Diversidade (Sepad), voltada à proposição e implementação de políticas de inclusão e ao fortalecimento de práticas antirracistas. “Queremos uma universidade que celebre a diversidade e responda, de forma cada vez mais efetiva, aos anseios da sociedade brasileira”.

A professora do Departamento de Psicologia da UFF e representante do Coletivo Escrevivências, Luiza Rodrigues de Oliveira, também ressaltou a importância da atividade para a comunidade acadêmica. “A presença de Conceição Evaristo representa a possibilidade de encontro com epistemologias que nos ajudam a compreender as experiências da população negra no Brasil”, afirmou. A docente destacou ainda o papel das ações afirmativas nesse processo: “Sem inclusão, não há como pensar uma educação verdadeiramente democrática”.

Ao final da Aula Magna, o público participou de uma sessão de autógrafos com a autora.

 

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