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UFF e Prefeitura de Niterói lançam livro sobre cientistas e empreendedores que marcaram a história do município

Foto de grupo em ambiente interno, com cerca de quinze pessoas de diferentes idades posando juntas diante de uma parede branca. Na frente, três pessoas estão sentadas — uma delas em cadeira de rodas — e as demais aparecem em pé atrás, sorrindo para a câmera. O grupo usa roupas sociais e casuais em tons variados. Ao centro, uma mulher de blazer claro e um homem segurando um livro se destacam. O espaço tem iluminação forte e teto moderno com painéis geométricos brancos e pretos.

A Universidade Federal Fluminense (UFF) realizou, ontem (11), o lançamento do livro “História e memória dos cientistas e empreendedores de Niterói”, de autoria do pesquisador Paulo Cesar Reis. A publicação foi lançada pela Editora da UFF (Eduff), em evento realizado no auditório do Núcleo de Estudos em Biomassa e Gerenciamento de Águas (NAB/UFF), no Campus da Praia Vermelha, com a participação de membros da comunidade acadêmica, gestores públicos e convidados.

A obra reúne 60 verbetes que registram trajetórias e contribuições de pesquisadores e empreendedores que ajudaram a construir a identidade científica, intelectual e inovadora da cidade. Resultado de pesquisa financiada pela Secretaria Municipal de Inovação, Ciência e Tecnologia de Niterói, em parceria com a UNESCO e a UFF, o livro apresenta um mapeamento de núcleos de excelência em áreas como História, Física Quântica, Engenharia, Antropologia, Biotecnologia e das relações entre Arte, Cultura e Território.

Durante a cerimônia, o reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, destacou o papel das universidades públicas na promoção do conhecimento e no fortalecimento do desenvolvimento regional.

“A ciência tem papel estratégico na transformação da sociedade, e iniciativas como esta fortalecem a relação entre universidade, cidade e população, valorizando trajetórias que ajudaram a construir a identidade científica de Niterói. A UFF coloca sua produção científica, capacidade de pesquisa e conhecimento técnico à disposição dos municípios, contribuindo para a formulação de soluções e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento regional e à melhoria da qualidade de vida da população. O lançamento desta obra demonstra a importância da universidade pública como espaço de produção de conhecimento, preservação da memória e promoção do desenvolvimento social”, afirmou o reitor.

Três pessoas participam de uma mesa de conversa em um auditório. Ao centro, um homem de barba grisalha, sentado em cadeira de rodas, fala ao microfone e gesticula com uma das mãos. À esquerda, uma mulher de jaqueta preta sorri olhando para ele. À direita, um homem de blazer bege e jeans acompanha a conversa sentado em uma poltrona. Ao fundo, uma projeção azul exibe o título do evento sobre história e memória de cientistas e empreendedores de Niterói.

O reitor Antonio Claudio ao centro, com a ex-secretária Juliana Benício e o autor Paulo Reis

A ex-secretária municipal de Inovação, Ciência e Tecnologia de Niterói, Juliana Benício, ressaltou que a iniciativa surgiu da necessidade de estruturar um acervo para orientar o trabalho da pasta.

“Percebemos que Niterói possui uma enorme riqueza científica e intelectual, mas era necessário organizar esse patrimônio, ouvir os pesquisadores e compreender como esse conhecimento pode contribuir para o planejamento da cidade. Por isso buscamos a parceria da UFF e o apoio institucional para viabilizar esta pesquisa. Este livro não trata apenas da preservação da memória; ele também é uma ferramenta para o futuro, porque permite reconhecer competências, conectar saberes e construir caminhos para políticas públicas mais inovadoras e alinhadas às necessidades da população.”

A publicação é resultado de uma trajetória de pesquisa iniciada há mais de uma década, sob orientação da professora Emérita da UFF Ismênia de Lima Martins. O autor Paulo Cesar Reis explicou que o projeto surgiu a partir do interesse em compreender não apenas as instituições científicas do estado do Rio de Janeiro, mas também as pessoas responsáveis pela construção da ciência nos territórios.

“Percebi que faltava compreender quem são os homens e as mulheres que constroem a ciência no cotidiano das cidades. A partir dessa inquietação, desenvolvemos uma pesquisa rigorosa sobre as trajetórias dos fazedores de ciência com vínculo direto com Niterói”, explicou.

Ao abordar a contribuição histórica da cidade para a ciência e a inovação, Paulo Cesar Reis ressaltou marcos importantes, como a criação do Instituto Vital Brazil, em 1919, a fundação da Faculdade Fluminense de Medicina, em 1925, e a atuação da Escola Técnica Estadual Henrique Lage na formação técnica industrial fluminense. Segundo ele, a consolidação dessas instituições contribuiu para transformar Niterói em um importante polo de produção científica e tecnológica no país.

A obra também destaca o papel da UFF nesse processo histórico. Criada em 1960, a universidade passou a concentrar parte significativa da produção científica regional e, atualmente, reúne mais de 47 mil estudantes de graduação, 580 laboratórios especializados e presença em nove municípios do estado do Rio de Janeiro.

A pesquisa foi conduzida no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica UNESCO–Niterói e mapeou 107 anos de trajetória científica da cidade por meio de 60 cientistas e empreendedores. Segundo os dados apresentados na publicação, esse conjunto reúne mais de 12 mil publicações científicas, 68 mil citações internacionais, 1.800 mestres e doutores formados, 127 patentes e 23 empresas originadas a partir de pesquisas universitárias.

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