No dia 24 de junho, a professora do Departamento de Administração da UFF, Flávia Uchôa, recebeu uma moção de louvor da Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo seu trabalho de pesquisa “Impactos da Escala 6×1 na vida das(os) trabalhadoras(es)”. A homenagem teve como objetivo reconhecer o trabalho e compromisso da pesquisadora com a educação e a promoção de uma sociedade mais justa na liderança do grupo que desenvolve reflexões junto ao Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), liderado pelo vereador Ricardo Azevedo.
O grupo de pesquisa teve início em março de 2024, a partir de uma atividade de extensão da universidade que promoveu uma roda de conversa aberta à comunidade acadêmica com Ricardo Azevedo. Desta ação, surgiram as escritas dos projetos de Iniciação Científica (IC) e mestrado, orientados por Uchôa, com o objetivo de compreender quem são os trabalhadores submetidos à escala 6×1 e quais os impactos sentidos por eles em sua saúde e em sua vida familiar.
Atualmente, o coletivo do projeto “Impactos da escala 6×1 na vida das(os) trabalhadoras(es)” é formado pelo aluno de Administração da UFF e bolsista de IC, Gabriel da Silva de Sant’Anna, pela mestranda do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGAd), Priscila Rocha Vicente e pelos Técnicos Administrativos da UFF, Rafael Macharete, doutorando em Matemática, e Clarice Rodrigues Pinheiro, Mestre pelo PPGAd. Além deles, compõem o grupo: Daniela Duarte, professora associada do curso de Psicologia e docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Mary Zhang, professora da Universidade de Birmingham, Reino Unido.
No ano passado, a equipe de pesquisa elaborou um questionário para o levantamento de dados sociodemográficos e das percepções dos trabalhadores sobre os impactos dessa escala em suas vidas e saúde. O primeiro infográfico foi divulgado em 15 de novembro de 2024, data marcada pela mobilização nacional contra a escala 6×1. Esse material foi compartilhado pelo movimento, por grupos de pesquisas e em notas da imprensa.
Os dados obtidos pelo questionário mostraram que 97% e 94% dos participantes concordam ou concordam completamente com a afirmação de que a escala 6×1 prejudica sua saúde física e mental, respectivamente. Aqueles que consideram que a escala impacta muito ou extremamente a sua vida pessoal chegam aos 94%. Os resultados do projeto estão disponíveis ao público no painel virtual elaborado pelo estudante de IC, Gabriel Sant’Anna.
Segundo a professora, o principal desafio para implementar uma jornada reduzida no país é a superação da herança escravocrata e colonial na formação da sociedade brasileira, bem como a exploração do trabalho humano.
“A realidade de trabalho da escala 6×1 é descrita pelos trabalhadores como determinante para a degradação da sua saúde, tanto física quanto mental, e de sua vida pessoal, levando ao isolamento familiar e social. A luta pela redução da jornada de trabalho mostra que devemos pensar não apenas na reorganização das atividades de trabalho, mas na estratégia de reorganização das relações sociais como um todo, incluindo nossa relação com o tempo”, aponta Flávia.
Para a pesquisadora, as universidades públicas exercem um papel fundamental na construção de políticas públicas voltadas para o bem-estar e dignidade da população. “Receber esta homenagem retifica o compromisso da UFF como um espaço dedicado a pensar e construir um projeto de sociedade mais justa, em que trabalhadoras e trabalhadores participem da produção do conhecimento e que esse conhecimento sirva às suas mobilizações, demandas e ações”, comenta.
