Pesquisa desenvolvida por uma colaboração entre campi da Universidade Federal Fluminense (UFF) foi destacada no boletim de 2 de abril da Sociedade Brasileira de Física (SBF). O trabalho reúne resultados obtidos no Laboratório de Óptica (LO) do Instituto de Ciências Exatas (ICEx), em Volta Redonda, coordenado pelo professor José Augusto Oliveira Huguenin, e no Laboratório de Óptica Quântica do Instituto de Física (LOQ-IF), em Niterói, coordenado pelo professor Antonio Zelaquett Khoury.
A pesquisa propõe uma simplificação na tomografia de estados quânticos preparados nos chamados modos spin-órbita, ou modos vetoriais, que combinam graus de liberdade transversos e de polarização da luz. A tomografia é fundamental para o pleno conhecimento desses estados, e o método apresentado reduz significativamente a complexidade do procedimento para importantes estados ópticos.
No LOQ-IF, estudo recente propôs a tomografia de modos transversos a partir da medida de intensidades, resultado que integrou a tese de doutorado de Marcos Gil de Oliveira, orientado pelo professor Antonio Z. Khoury. Em Volta Redonda, o grupo coordenado por Huguenin realizava experimentos para a medida de discórdia em feixes vetoriais, que exigiam tomografia de estados nos graus de liberdade de polarização e modos transversos, utilizando elementos ópticos astigmáticos e interferômetros de difícil alinhamento, o que introduzia erros experimentais relevantes.
A partir da integração entre os dois estudos e da experiência acumulada pelos grupos, foi possível propor e demonstrar experimentalmente a tomografia de polarização e modos transversos apenas com medidas de intensidade, simplificando drasticamente o procedimento. Esse resultado compôs a tese de doutorado de Daniel Gonzaga Braga, orientado pelo professor Huguenin.
Todos os estudantes envolvidos pertencem ao Programa de Pós-Graduação em Física da UFF, que desde 2013 conta com extensão no campus de Volta Redonda, permitindo a realização integral da formação de mestrado e doutorado no Sul Fluminense.
Participaram da pesquisa os doutorandos Daniel Braga e Guilherme Cruz, do Laboratório de Óptica do ICEx-UFF, e Marcos Gil de Oliveira, do LOQ-IF; os pesquisadores Wagner Balthazar (IFRJ, egresso e docente credenciado no PPG em Física da UFF) e Braian da Silva (egresso do PPG em Física da UFF e atualmente no Senai Cimatec-BA), além dos professores Antonio Zelaquett Khoury e José Augusto Oliveira Huguenin.

Guilherme Tadeu, doutorando da UFF, preparando o experimento – Foto: Divulgação.
Para o doutorando Guilherme Tadeu, a colaboração intercampi da UFF teve papel decisivo em sua formação. “Acredito que foi e é fundamental essa experiência intercampi, tivemos diversas reuniões para alinharmos as ideias e discutirmos sobre os resultados obtidos. Essa oportunidade de trocar a experiência com os alunos de Niterói foi muito bacana, pudemos juntos elaborar e executar um trabalho de importante impacto na área”, afirma.
Segundo ele, o principal aprendizado foi perceber que “as diferentes expertises somadas são capazes de produzir bons frutos”. O estudante também destaca a dinâmica de trabalho entre os grupos: “Diversas vezes realizamos reuniões para compreendermos os procedimentos e discutirmos sobre os resultados, compreendermos a execução dos tratamentos e possíveis erros experimentais a evitarmos ou diminuirmos”. Para Guilherme, a experiência abre novas perspectivas acadêmicas: “Acredito que experiências como essas abrem caminhos para futuros trabalhos e possibilidades dentro do ramo. Trocando os conhecimentos, todos crescemos”, conclui.
A matéria completa pode ser consultada no site da Sociedade Brasileira de Física.
