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Estudantes da UFF exibem filme em mostra internacional em Nova York

Os alunos Pedro David e Lucas Peçanha, dos cursos de Produção Cultural e Cinema da UFF, respectivamente, foram selecionados para exibir o curta-metragem de sua autoria “Raízes em Cena” na Tutti Frutti Experience, no Brazilian Short Film Festival, realizado no dia 29 de janeiro na Tisch School of Arts da New York University (NYU). Além da exibição, os estudantes foram convidados para palestrar no evento.

O filme faz homenagem ao Teatro Experimental do Negro (TEN) e aborda a luta de pessoas pretas para conseguirem espaço no teatro e na televisão. A realização é da produtora Oriris Filmes e foi financiada pelo Edital de Cultura SESC RJ Pulsar 2025. A equipe que trabalhou no curta-metragem foi composta em sua maioria por jovens pretos dos cursos de Cinema e Audiovisual e Produção Cultural da UFF e a ida dos estudantes à mostra foi viabilizada por meio de um edital da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec).

Raízes em Cena é uma ficção infanto juvenil que mistura realismo e fantasia, costurando passado e presente através de uma dramaturgia que transita entre o teatro e o cinema e tem duração de 19 minutos e 54 segundos. O projeto  articula questões que atravessam a experiência negra no Brasil: representatividade, racismo estrutural, transmissão geracional, disputa de narrativa, práticas de apagamento, formação cultural, educação, oralidade e futuro.

Para Pedro David, estudante de Produção Cultural, o cinema brasileiro vive um momento glorioso internacionalmente, com os filmes “O Agente Secreto” e “Ainda Estou Aqui”. Contudo, ele ressalta que é preciso olhar, também, para jovens cineastas que estão produzindo trabalhos com muita qualidade, mas que ainda estão à margem.

“Ver um filme produzido por universitários sendo exibido internacionalmente é uma grande conquista para nós. E ter esse reconhecimento pela New York University e pela Tutti Frutti Experience foi absolutamente incrível. Essa conquista é a prova viva de que a UFF está produzindo artistas, cineastas e produtores de qualidade. Quando recebemos o convite para exibir o nosso filme na NYU, ficamos muito felizes, pois estaríamos ocupando um espaço que é referência em arte e cinema, assim como a UFF. Além disso, destaco que na formação em produção cultural temos matérias sobre editais e viabilização de projetos, e foi através de um deles que nosso projeto pôde sair do papel”, compartilha Pedro.

De acordo com Lucas Peçanha, aluno do curso de Cinema da UFF, participar da exibição do curta-metragem na NYU é uma continuidade histórica.

“Estar na Tutti Frutti Experience foi um passo gigante para nós. Além disso, foi muito simbólico porque o TEN também esteve. E, ao pensar no ótimo momento que o audiovisual brasileiro vive, com 5 indicações ao Oscar, é impossível não lembrar que o TEN também esteve lá, em 1960, com “Orfeu Negro”, que saiu vencedor da categoria de Melhor Filme Estrangeiro”, relata Lucas.

Com o objetivo de manter a história do movimento TEN acesa, o processo de pré-produção do filme envolveu um processo imersivo de pesquisa das histórias, dos espaços e dos personagens que compuseram este grupo. A companhia não foi só temática, mas também personagem, já que toda a parte visual do projeto foi construída a partir de fotografias e vídeos da época, enquanto o roteiro surgiu a partir de relatos de integrantes.

O aluno acrescenta que o movimento TEN, que orientou o filme, funciona como uma ferramenta para criar novos sentidos e mostrar que, para fortificar o futuro, é preciso carregar o passado com orgulho.

“O desenvolvimento do curta-metragem partiu do propósito de usar o cinema como uma ferramenta de memória. O elenco e a equipe técnica, formada majoritariamente por jovens pretos, também emergiram na história antes da produção. Nas gravações, parecia que a gente tinha realmente viajado no tempo e estava na sede do grupo. E hoje é muito bonito ver como cada um reconhece e repassa a história do TEN”, explica.

A obra foi exibida pela primeira vez no dia 11 de dezembro de 2025 e segue inscrita em outros festivais e mostras, aguardando aprovação e confirmação de novas datas.

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