Inclusão na Universidade

Educação inclusiva é pouco abordada em cursos de licenciatura

Por Luiza Leite Ferreira

O Ciclo de Palestras “Educação Musical Inclusiva” da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), evento gratuito voltado aos professores de música em formação e demais interessados foi o primeiro de muitos. Com o objetivo de discutir os desafios da inclusão na educação, principalmente na musical e formar os futuros professores para que saibam lidar com os novos cenários de inclusão nas escolas, as palestras atraíram muitos interessados até o Instituto de Artes, local de realização das palestras.

“A ideia do evento surgiu das demandas que os estudantes do curso de Licenciatura em Educação Musical da UNESP trouxeram, decorrentes das suas experiências nas escolas de educação básica com turmas inclusivas”, explica Margarete Arroyo, coordenadora do ciclo de palestras que ocorreu de maio a junho e que reforçou a necessidade do tema da Educação Inclusiva ser trabalhado nos cursos de licenciatura.

Para a aluna de Arroyo, Iris Carolina Faceto, ficou claro com as palestras que o primeiro desafio da educação inclusiva é conscientizar a todos sobre o sentido da inclusão, de forma a reconhecer a diversidade existente na população escolar e a necessidade de respeitar essas diferenças, que podem ser tanto de condições linguísticas, sociais ou étnicas, quanto sensórias, cognitivas, físicas, etc. “A ideia principal é entender que cada indivíduo é um ser único, independente das diferenças de cada um. A partir desta concepção, podemos pensar em um programa de inclusão que implica uma certa reorganização das práticas escolares, o que envolve adaptações curriculares, flexibilidade no processo avaliativo dentre outras medidas.”

Enquanto os cursos de licenciatura de maneira geral ainda prestam pouca atenção à necessidade de discutir o tema da inclusão, outros cursos não diretamente ligados à educação, mas que oferecem serviços à sociedade, já incorporam o assunto à prática. Carla Guedes, que estuda Turismo na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), cursou como obrigatória a disciplina de educação especial no 4º período e diz ter aprendido muito com a experiência, que além de conscientizar sobre os diversos tipos de deficiência, levou os alunos a experiências práticas.

“Fizemos uma visita ao Instituto Benjamin Constant para ver como funcionava o dia-a-dia dos deficientes visuais, como todos os materiais que utilizavam eram adaptados; e o projeto final da disciplina foi escolher dois pontos turísticos do Rio de Janeiro e analisar se estavam preparados para receber pessoas com necessidades especiais”, conta a estudante de 21 anos. Hoje, sempre que vai ao metrô, Carla repara que dispositivos são utilizados para uma pessoa em cadeira de rodas descer as escadas. “Achei essencial o estudo dessa disciplina, pois para trabalhar com turismo, tem que se pensar no turismo para todos: crianças, adultos, ricos, pobres e, claro, portadores de necessidades especiais.”

Já para o estudante de 24 anos Filipe Cretton, que cursa o 2º período de Licenciatura em Música na mesma universidade que Carla, as coisas são diferentes. Filipe ainda não teve nenhum contato com educação especial ou inclusiva. “Acredito, e espero, que, no decorrer do curso, eu tenha experiências de estudo e trabalho na área de inclusão, especialmente direcionado ao mundo da Música”, diz Filipe, que gostaria que o tema da inclusão fosse mais abordado na mídia e discutido nos cursos de licenciatura. “É importante que haja a sensibilização de toda a sociedade para a realidade dessas pessoas, que possuem dificuldades motoras, mentais ou sensoriais. São cidadãos como todos nós e merecem respeito e atenção pelo governo e toda a sociedade, oferecendo a eles todos os direitos como qualquer outro cidadão, incluindo educação.”

Partituras para deficientes visuais

Um dos temas abordados nas palestras da UNESP foi “Musicografia Braille: da musicalização à leitura e escrita da partitura em Braille”. A musicografia é uma forma de registrar os sons baseada no sistema Braille, o que possibilita a escrita e a transcrição de partituras impressas. “Com este recurso, os deficientes visuais ficam mais independentes caso queiram tocar repertório musical que esteja escrito em partituras”, diz Margarete. Para saber mais sobre musicografia Braille, acesse o blog da educadora musical Isabelli Bertevelli, uma das palestrantes do evento da UNESP.

cartaz educação musical

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