Cidadania e inclusão: o poder de um pré-universitário popular
Por Elena Wesley
O Pré Universitário Popular Práxis – curso comunitário da Universidade Federal Fluminense (UFF) – leva seu nome ao pé da letra: unir o conhecimento à ação, a fim de transformar a realidade com ideias, definição de práxis nas palavras de Karl Marx. Mais do que ensinar conteúdos, o projeto de extensão busca despertar a reflexão sobre a sociedade. Fundado em 2005 pelo professor Jairo Selles, o projeto atende pessoas que não podem pagar pelos cursos preparatórios comuns, mas que não abrem mão do sonho de ingressar na universidade.
Sob a coordenação de ex-alunos e bolsistas da UFF, o Práxis faz do prédio da “Física-Velha”, no campus do Valonguinho, um espaço de aprendizado para 60 alunos. A classe chega ao fim do período letivo com cerca de 20 alunos, porque muitos desistem devido à rotina difícil de trabalhar durante o dia e estudar à noite. Entre os que ficam os resultados são muito positivos: dos 20, entre 12 e 15 conseguem passar no vestibular.
Maicon Rodrigues, ex-aluno e coordenador do curso, conta sua trajetória e ressalta a importância de popularizar a universidade:
Estudantes empenhados
Flávia Lima foi aprovada na seleção de 2011 em dois cursos, Geografia na UERJ e Serviço Social na UFF e optou pelo primeiro. “Fiquei parada por muito tempo. Foi bom relembrar matérias e acrescentar o que não sabia. “Não tive Filosofia nem Sociologia no colégio”, conta a universitária.
Inspirados no exemplo de Flávia, Luís Felipe e Antonio Oliveira se empenham na reta final dos estudos. Ambos têm o ensino básico defasado. “Estudei numa escola pública com poucas atividades e professores desanimados”, explica Luís Felipe, que está em dúvida entre os cursos de Engenharia Civil e Física. Antonio abandonou o ensino médio quando começou a trabalhar. Ele conta que a realidade do seu colégio é muito diferente do ambiente do Práxis. “Ninguém instruía nem estimulava os estudantes a entrar na faculdade”, desabafa o concorrente a uma das vagas de Geografia.
A dedicação dos professores fortalece ainda mais o desempenho dos alunos. O trabalho é voluntário e a maioria leva uma rotina bastante atarefada. Raquel Sant’Ana dá aulas de História todas as quintas, além de trabalhar no Arquivo Nacional e fazer mestrado. “Eu entrei com o objetivo de ganhar experiência, preocupada com o meu currículo, mas minha expectativa mudou. Este contato com pessoas incríveis me preenche. Ninguém que trabalha aqui consegue sair”, confessa.
O coordenador Reginaldo Scheuermann comenta a relevância e o vínculo dos participantes com o projeto:
Sem incentivos, Práxis enfrenta uma série de desafios
Manter o padrão de qualidade almejado pelos idealizadores tem sido o maior desafio do Práxis. O Departamento de Biologia parece não querer cooperar com o projeto e não há garantia das aulas permanecerem no prédio atual. Além disso, faltam recursos audiovisuais e material didático. Claudio Fernando, um dos coordenadores do projeto, contou sobre a perda da maioria dos livros. “O local onde armazenávamos os livros seria transferido para o Gragoatá por causa das obras do Reuni. O prédio foi destelhado e choveu sobre o material. Tínhamos uma biblioteca, agora só nos restou um armário”, lamenta.
Para o coordenador, ainda falta investimento em projetos sociais como o Práxis. “A UFF deixa um pouco a desejar na inclusão da comunidade na universidade e em levar a universidade para fora dela, onde as pessoas estão carentes de assistência. Nós mesmos somos exemplo disso. Somos um trabalho voluntário que enfrenta muitos problemas”, salienta Fernando.
Coordenador Maicon Rodrigues mostra alguns problemas enfrentados pelo Práxis:
Além da sala de aula
O debate proposto pelo curso não se restringe à sala de aula. A turma visita espaços culturais, como o Museu de Arte Moderna, o CCBB e a Quinta da Boa Vista. Os organizadores também tentam esclarecer que o vestibular não é um modelo justo por escolher de acordo com o “mérito” e por favorecer as classes que tem acesso à educação de maior qualidade. “É preciso ter condições sociais para conseguir. Você pode ter conhecimentos muito legais, mas que não são priorizados por quem organiza o vestibular”, lamenta Raquel Sant’Ana, professora do Práxis.
Para participar, os interessados preenchem uma pesquisa socioeconômica, semelhante à utilizada pela Uerj, para comprovar a renda e em seguida são entrevistados. O último passo para se candidatar é um teste de matemática e uma redação. “É apenas uma sondagem para saber como eles estão nas operações básicas e na escrita”, explica Fernando. As aulas acontecem de segunda à sexta, a partir das 18h. As inscrições para a nova turma abrem em janeiro, para iniciar as atividades em fevereiro.
Confira também: outro projeto que ajuda cerca de 140 alunos carentes a ingressar na universidade, o Pré-Popular da UFF na Engenharia.


como consigo escrever meu filho no curso preparatório popular meu filho na no nono ano ele tem
14 anos muito obrigado
Boa tarde!
Eu quero me preparar para fazer o enem, gostaria de saber se vocês oferecem algum curso prepatório gratuito?
Desde de ja agradeço a atenção,
Cléa conceição.