Paula Sibilia

 

Apresentação

Fez graduação em Comunicação e em Antropologia na Universidade de Buenos Aires (UBA), mestrado em Comunicação (UFF), doutorado em Saúde Coletiva (IMS-UERJ) e em Comunicação e Cultura (ECO-UFRJ). É autora dos livros O homem pós-orgânico: Corpo, subjetividade e tecnologias digitais (Ed. Relume Dumará, 2002) e O show do eu: A intimidade como espetáculo (Ed. Nova Fronteira, 2008), ambos publicados também em espanhol, e ¿Redes o paredes? La escuela en tiempos de dispersión, já editado em castelhano e no prelo em portugués pela Contraponto (2012). Seu próximo livro analisa o fenômeno do “culto ao corpo” e as novas práticas corporais nele implicadas, enfocando tanto suas manifestações midiáticas como as artísticas. Em 2012, realiza um pós-doutorado em torno a esse assunto na Université Paris VIII, da França, com bolsa da CAPES. Também é bolsista das agências CNPq (Produtividade em Pesquisa) e FAPERJ (Jovem Cientista do Nosso Estado).

Presentation

Paula Sibilia studied Communication and Anthropology at the University of Buenos Aires (UBA), Argentina, where she also taught and researched until 1993. She has a Master degree in Communications (UFF), a PhD in Communications (UFRJ) and a PhD in Public Health (UERJ). She is the author of the essays Post-Organic Man (2002), and Intimacy as Spectacle (2008), published in Spanish and in Portuguese. She is associate professor at the Department of Cultural and Media Studies and at the Graduate Program in Communications, UFF, as well as investigator of the Brazilian National Council of Technological and Scientific Development (CNPq) and research fellow at FAPERJ.

Currículo Lattes

Pesquisa

1) Os corpos perfeitos da mídia e a moral da boa forma: Paradoxos da saúde e da beleza nas experiências corporais contemporâneas

Resumo: Investigar as transformações nas vivências da condição encorpada na sociedade ocidental contemporânea, focalizando a influência da mídia nas experiências e nas práticas corporais. Por um lado, o corpo se destaca e suscita um conjunto de cuidados na devoção às boas formas e ao bem-estar corporal. Por outro lado, é constrangido por um conjunto de crenças e valores que parecem desprezar sua condição orgânica e carnal, tais como os mitos da beleza, da magreza e da juventude. Os meios de comunicação desenvolvem um papel fundamental entre os diversos vetores que confluem para configurar esse aparente paradoxo do estatuto do corpo humano na contemporaneidade, ao mesmo tempo adorado como imagem e rejeitado em sua materialidade orgânica.

Palavras- chave:
1. subjetividade contemporânea.
2. corpo e corporeidade.
3. tecnologias digitais.
4. imagens corporais.
5. arte-mídia.

2) O corpo explícito nas artes contemporâneas: Tensões com a purificação midiática das imagens corporais

Resumo: Esta pesquisa busca analisar as configurações corporais e subjetivas que se produzem, na sociedade contemporânea, em contato ativo com as imagens e os discursos que nela circulam. Por um lado, os dispositivos midiáticos estimulam o fenômeno conhecido como “culto ao corpo”, um complexo tecido de crenças e práticas cujo cerne é paradoxal: esse corpo enaltecido se submete, ao mesmo tempo, a uma purificação incisiva e sem pausa. Assim, investidos pelos rígidos preceitos que integram a atual “moral da boa forma”, os corpos são instados a se construírem como imagens lisas e polidas. Essa expurgação da própria carnalidade se apóia numa retórica mercadológica, que prescreve investimentos constantes tendentes a valorizar o “capital juvenil” em termos visuais. Paralelamente a essa tendência hegemônica, porém, no final do século XX e início do XXI, disseminam-se outros tratamentos da condição encorpada, sobretudo no vasto território das artes contemporâneas. Trata-se de um campo fértil e múltiplo, que não carece de contradições e tende a se hibridizar com os meios de comunicação e com os jogos do mercado, mas costuma apresentar outros desdobramentos da corporeidade e da subjetividade, em tensão com aqueles convencionados pela irradiação midiática. Esse corpo “explícito”, que rejeita toda idealização ao enfatizar sua espessura e sua consistência carnal, tanto em suas fragilidades como em suas potências, parece confrontar-se com os ímpetos padronizadores que hoje “assujeitam” e restringem as vivências corporais. Numa época que se caracteriza pela profusão de espetáculos, por um viver entre-imagens e inclusive por certo devir-imagem, cabe indagar em que medida essas propostas artísticas podem contribuir para subverter tais amarras, dilatando suas bordas e abrindo frestas capazes de questionar as moralizações que cerceiam tanto os corpos como as subjetividades.

Produção

Links para algumas produções disponíveis na internet:

O show do eu: A intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 2008.

La intimidad como espectáculo. Buenos Aires: Ed. Fondo de Cultura Económica, 2008.

El hombre postorgánico: Cuerpo, subjetividad y tecnologías digitales. Buenos Aires: Ed. Fondo de Cultura Económica, 2005; segunda edição: 2006.

Revista Trópico: Diversos artigos sobre corpo, subjetividade, mídia, tecnolgia e cultura contemporânea.

A digitalização do rosto: Do transplante ao PhotoShop. Dossiê “Estéticas da Biopolítica: Audiovisual, Política e Novas Tecnologias”, do Programa “Cultura e Pensamento” (MinC/FAPEX). Revista Cinética. São Paulo, Fevereiro 2008.

Plastic surgeons: from beauty as a divine gift to Faustian imperatives. SciELO Social Sciences English Edition. Translated by Marta Ines Merajver, from Sociedad v. 25 (Buenos Aires, UBA), 2007.

A digitalização do rosto: do transplante ao photoshop.