Alunos da UFF criam aplicativos que ajudam a diminuir o contágio por coronavírus

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Crédito da fotografia: 
Unsplash

Desde que a pandemia de COVID-19 passou a fazer parte da realidade dos brasileiros, muita coisa mudou em suas vidas. Vieram novas rotinas e, com elas, outras necessidades. Como, por exemplo, se proteger com máscaras para trabalhar e sair de casa e também criar outros rituais para ir ao mercado ou higienizar produtos. Pensando nisso, alunos da Universidade Federal Fluminense de diferentes cursos de graduação desenvolveram aplicativos, para uso em smartfones, que buscam auxiliar as pessoas a lidar com as novas demandas do cenário atual.

Um desses aplicativos foi batizado de ‘EPI Solidário’. Sua proposta é a de conectar pessoas que estão necessitando de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), e que trabalham na linha de frente de combate ao coronavírus, com outras que tenham esse material para doar. O projeto surgiu da constatação do aumento da demanda repentina por estes equipamentos somada à diminuição da produção de algumas fábricas, culminando em sua falta, em lojas ou hospitais.

Segundo Eduardo de Oliveira Camara, formado em Ciências da Computação e atualmente aluno de Medicina também pela UFF, a equipe de desenvolvimento do aplicativo conta com a colaboração de alunos dos dois cursos. Além dele, participam dois outros da Ciência da Computação e um terceiro do curso de Medicina. O estudante explica que a doação dos EPIs normalmente é feita por contato direto, em grupos de conversa no Whatsapp ou por pedidos para conhecidos. "O objetivo é expandir esta rede de solidariedade, permitindo que pessoas que não tenham contato direto normalmente consigam se comunicar para que sejam feitas estas doações”, destaca.

Seu uso é bastante simples e permite duas formas de interação. O interessado pode se cadastrar como doador ou receptor. Ele pode registrar os pedidos de equipamentos de proteção ou acompanhar a lista de quem está doando, sem necessariamente ter que cadastrar a sua intenção. A partir da página de listagem, os usuários podem interagir de algumas formas básicas. Caso o usuário tenha EPIs para doação, ele pode verificar quem está listado com pedido e enviar os seus contatos, telefone e e-mail, para que o interessado entre em contato. Já, ao contrário, se o usuário necessitar de EPIs, pode acessar a listagem das doações e pedir o contato da pessoa, que escolhe se aceita compartilhar seu telefone e e-mail ou não.

De acordo com o professor do Instituto de Computação da UFF responsável pelo projeto, Flávio Luiz Seixas, “a meta inicial é ajudar na proteção dos que estão atuando e salvando vidas neste momento difícil pelo qual estamos passando. Mas se o projeto tiver uma boa visibilidade, poderemos atrair parcerias público/privadas para que outras excelentes iniciativas possam ser postas em produção e ajudar mais pessoas”, ressalta. O estudante Eduardo complementa dizendo que o aplicativo também poderia vir a servir, por exemplo, como um facilitador para outros equipamentos, “inclusive de aparelhos produzidos por iniciativa das universidades, como os faceshields, e até mesmo respiradores”.

O aplicativo foi disponibilizado em versão de testes numa plataforma da Microsoft que permite fazer seu download para dispositivos Android. A previsão é que, em breve, possa também ser acessado na Loja da Apple - para quem possui Iphone. Segundo Eduardo, que se diz muito feliz em poder ajudar a sociedade de alguma forma, “hoje em dia, com a disseminação da tecnologia, existe uma grande oportunidade de melhorar a medicina através da informatização de processos e conhecimentos. Muitos aplicativos já são utilizados como auxílio à tomada de decisão para tornar mais eficazes os diagnósticos e tratamentos”, conclui.

Compras mais seguras com o Match Buyer

Outro aplicativo idealizado por estudantes da UFF, e também inteiramente executado por eles, é o Match Buyer. A ideia é interligar três tipos de usuários, conectando quem necessita de auxílio para realizar suas compras e quem tem a possibilidade de sair de casa para isso, assim como o pequeno comerciante do bairro que está com seu caixa comprometido e produto estocado. De acordo com Leolo Lopes, graduando em Engenharia Química e que atua como desenvolvedor do aplicativo, ao mesmo tempo em que ele une pessoas que estão em situação de risco, evitando o seu contágio, opera para prevenir o fechamento de estabelecimentos.

Para utilizar o Match Buyer, é preciso realizar um cadastro anteriormente. Existe um tipo diferente para cada perfil de usuário, e também uma área limitada a partir da qual eles podem se comunicar. A interface, segundo o estudante, possui similaridade com o famoso aplicativo de relacionamentos Tinder: “podemos dizer que o Match Buyer é Tinder da Pandemia”.

O grupo que assina pelo projeto, e que é composto por seis estudantes, membros da Equipe de Foguetes da UFF, estima que, em breve, o aplicativo de compras vai estar disponível na Play Store, sendo possível acessá-lo através de download e cadastro. A previsão é que seja possível aprová-lo na loja do Google em algumas semanas. Para o aluno, esta é uma oportunidade ‘energizante’: “sinto que estamos tentando solucionar problemas e ajudar no meio desse caos todo que tem sido a pandemia de COVID -19”, comemora.

 

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