Estudo da UFF mapeia evolução do coronavírus em Niterói

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Crédito da fotografia: 
Pixabay

Apesar de a pandemia de COVID-19 ter se tornado realidade no Brasil há apenas poucos meses, já é possível transformar em dados científicos parte desse passado recente da doença, colaborando para evitar seu agravamento. É isso o que aponta uma pesquisa que vem sendo desenvolvida pela UFF numa parceria com a Prefeitura de Niterói e a Fiocruz.

Intitulado “Protocolo de investigação para os primeiros casos e contatos de coronavírus em março e abril de 2020, Niterói – RJ”, o estudo envolve mais de vinte professores de diferentes unidades da universidade: o Departamento de Epidemiologia e Bioestatística, o Departamento de Estatística, o Departamento de Matemática Aplicada, o Departamento de Geografia e a Escola de Enfermagem. Como objetivo, busca-se estruturar ações de controle e prevenção da infecção a partir de um entendimento das características clínicas, de transmissibilidade e também epidemiológicas dos casos de COVID-19 na cidade.

Segundo o reitor Antonio Claudio da Nóbrega, “esse protocolo é um rico exemplo de como a Universidade interage de forma visceral com a sociedade. Articulando diferentes saberes e competências com um objetivo comum, a produção de conhecimento aplicado oferece evidências científicas robustas para que o gestor público tome decisões balizadas e racionais. Durante uma pandemia, o conhecimento é construído a cada dia e, portanto, não há verdade absoluta, mas somente com base na ciência se pode oferecer a melhor decisão para a população”, destaca. 

Utilizando uma metodologia de rastreamento de contatos, os pesquisadores localizam casos confirmados de coronavírus e, em seguida, testam seus contatos próximos, numa tentativa de estimar as pessoas infectadas em Niterói. A testagem para detecção da infecção é realizada em domicílio por uma equipe da Prefeitura.

a pandemia do COVID-19 é um grande problema de saúde pública, com alto potencial de infecção e impactos sociais, econômicos e nos serviços de saúde. O cenário pode ser devastador principalmente quando estes serviços não são suficientes", Jackeline Vasconcelos, professora do Departamento de Epidemiologia e Bioestatística da UFF.

Entre os índices levantados, destacam-se a proporção de indivíduos infectados, a de casos sintomáticos e assintomáticos e a distribuição dos casos totais por gênero, faixa etária e nível socioeconômico. Além disso, busca-se identificar as possíveis rotas de transmissão da doença, elaborar as curvas de projeção dos infectados, dos óbitos e dos suspeitos, segundo variáveis sociodemográficas e de comorbidades, assim como produzir estimativas de gravidade e transmissibilidade da doença no município.

De acordo com a professora do Instituto de Saúde Coletiva do Departamento de Epidemiologia e Bioestatística Jackeline Vasconcelos, responsável pela pesquisa, “a pandemia do COVID-19 é um grande problema de saúde pública, com alto potencial de infecção e impactos sociais, econômicos e nos serviços de saúde. O cenário pode ser devastador principalmente quando estes serviços não são suficientes. É fundamental, nesse sentido, que o monitoramento e o controle sejam baseados nas evidências científicas. Ainda temos muitas lacunas a serem elucidadas. Por isso, nosso estudo pretende resgatar o início do surto em Niterói e entender melhor como foi sua disseminação”, enfatiza.

Como o cenário ideal para o controle da doença, que viria por meio da vacina, ainda está longe da realidade – não devendo ocorrer, de acordo com a estimativa da pesquisadora, até final de 2021 –, o mais importante no momento é controlar a pandemia. Atualmente isso tem sido feito por meio de medidas sanitárias, do isolamento social e da identificação daqueles classificados como potenciais transmissores do vírus, os quais podem ser diagnosticados com a doença, ou ainda as assintomáticas.

Todas essas formas de controle da enfermidade, que podem ser ainda mais eficientes com a colaboração da pesquisa, são, de acordo com Jackeline, de extrema importância. Sobretudo porque, segundo ela, ainda não se alcançou a chamada “curva descendente”, ou seja, a redução na taxa de transmissibilidade do vírus.

Como potenciais agravadores do quadro, e que acabam por somar razões para a manutenção rigorosa de medidas preventivas, Jackeline destaca o fato de estamos em um país profundamente desigual: “até dentro de um mesmo bairro, com cenários envolvendo diferentes níveis de densidade demográfica, estrutura etária, prevalência de comorbidades, entre outras questões, essa disparidade pode ser observada, o que impacta diretamente o padrão de disseminação da doença”.

 

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