A Formação Técnica em Órteses e Próteses (TOP), iniciativa desenvolvida no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), se prepara para iniciar sua terceira oferta nacional. O projeto tem como objetivo qualificar profissionais para atuar na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, contribuindo para ampliar a capacidade de atendimento e fortalecer os serviços de reabilitação no país. A Universidade Federal Fluminense (UFF) é parceira estratégica da iniciativa, que reúne instituições de ensino e pesquisa, órgãos públicos e serviços de saúde.
A formação surgiu para responder a uma demanda histórica do SUS: ampliar o número de trabalhadores especializados nas oficinas ortopédicas brasileiras. Ao longo de suas duas primeiras ofertas, o projeto articulou instituições formadoras e serviços de saúde, promoveu a qualificação profissional e acumulou experiências que contribuem para o aperfeiçoamento das estratégias de ensino e aprendizagem.
A terceira oferta tem início previsto para novembro de 2026, no Piauí, com 20 vagas. Enquanto isso, seguem os preparativos para a implantação do curso em Mato Grosso do Sul e no Ceará, dando continuidade à expansão da iniciativa.
Em 2019, o Plano Plurianual (PPA) da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPCD) estabeleceu como meta a formação de 800 técnicos para atender à demanda das oficinas ortopédicas por profissionais especializados em órteses e próteses. A partir dessa necessidade, a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT/Fiocruz) e a Coordenação-Geral de Saúde da Pessoa com Deficiência (CGSPCD) firmaram um Termo de Compromisso para a construção de um modelo nacional de formação técnica em órteses e próteses.
Desse movimento nasceu a Formação Técnica em Órteses e Próteses, o TOP, concebida como uma iniciativa de alcance nacional para qualificar trabalhadores e fortalecer a política de saúde e as estratégias de reabilitação no SUS.
Uma formação inédita de alcance nacional
A primeira oferta da Formação TOP representou um marco para a qualificação profissional na área de órteses e próteses no âmbito do SUS.
A proposta previa 169 vagas e 1.200 horas de carga horária, com foco nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Para viabilizar a formação, foram mobilizadas 11 Escolas Técnicas do SUS (ETSUS) e 13 Oficinas Ortopédicas habilitadas pelo Ministério da Saúde.
Naquele primeiro momento, a formação foi direcionada às oficinas ortopédicas e construída em diálogo com as Escolas Técnicas do SUS. Pela primeira vez, essas duas estruturas públicas passaram a trabalhar de forma articulada em um processo formativo. A aproximação revelou uma potência importante para a educação permanente em saúde, conectando os espaços de formação aos serviços e às necessidades concretas dos territórios.
O Curso TOP teve início em 2021 nas ETSUS de nove estados. A execução, entretanto, foi atravessada por um dos maiores desafios daquele período: a pandemia de Covid-19.
As estratégias metodológicas precisaram ser adaptadas às diferentes realidades dos estados. Enquanto alguns territórios conseguiram manter atividades presenciais em espaços amplos e com distribuição segura dos estudantes, outros precisaram migrar para estratégias a distância em razão das restrições locais. Mesmo diante dessas mudanças, a proposta pedagógica foi mantida, com participação dos coordenadores estaduais e articulação com os territórios.
As oficinas ortopédicas habilitadas pelo Ministério da Saúde constituíram importantes campos de prática da formação. Entre elas estavam o CRER, em Goiás; CER/APAE, em Mato Grosso do Sul; CRIDAC, em Mato Grosso; Policlínica Antônio Aleixo, no Amazonas; CIIR e APAE, no Pará; AAPE, ADEFAL e Pestalozzi, em Alagoas; CER, na Bahia; NUTEP, no Ceará; Associação Reabilitar – CEIR, no Piauí; e CER, no Rio Grande do Norte.
Foram 17 meses de formação e articulação nos territórios, envolvendo diferentes instituições, profissionais e atores sociais em um processo de construção e gestão do conhecimento.
Ao final, 164 alunos foram formados, resultado que demonstrou a capacidade de articulação de uma rede nacional voltada à qualificação profissional e ao fortalecimento da atenção à Pessoa com Deficiência no SUS.
TOP II: continuidade, ampliação e novos desafios
A partir do TOP II, a trajetória do projeto passa a incorporar também o Formatec, política pública do Ministério da Saúde voltada à oferta de cursos técnicos e especializações pós-técnicas gratuitas na área da saúde. A iniciativa contribui para ampliar a qualificação de profissionais de nível médio e técnico e prioriza regiões que apresentam maior necessidade desses trabalhadores.
O TOP II representa a continuidade da experiência iniciada na primeira oferta, incorporando aprendizados acumulados e aprofundando estratégias pedagógicas e de integração territorial.
A nova edição mantém princípios fundamentais do projeto, como a integralidade do cuidado, a articulação entre ensino e serviço, a valorização dos trabalhadores do SUS e a aproximação entre formação e realidade dos territórios.
Ao mesmo tempo, amplia e aprofunda estratégias de aprendizagem, fortalecendo a articulação entre diferentes espaços formativos e incorporando novas experiências de vivência nos territórios.
A formação articula momentos síncronos, atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem, práticas supervisionadas e experiências desenvolvidas nos serviços.
Na atual oferta, o projeto alcança os estados da Paraíba, Maranhão, Pará e Tocantins; com 62 alunos em formação.
Em 2026, a execução do TOP II avançou para uma etapa importante com a realização das atividades práticas nos estados. Na Paraíba, onde a formação se encontra em fase de finalização, os profissionais estão na etapa de vivências nos territórios, estratégia que busca ampliar a compreensão dos estudantes sobre a rede de atenção, os serviços e as realidades vividas pelas Pessoas com Deficiência.
A construção dessas atividades foi realizada de forma coletiva, envolvendo as equipes do projeto e os atores locais. A turma da Paraíba tem formatura prevista para o dia 10 de dezembro de 2026.
Já os estados do Maranhão, Pará e Tocantins encontram-se atualmente no Módulo 4 da formação, etapa que dá continuidade ao processo de qualificação dos profissionais e ao aprofundamento das atividades teóricas e práticas previstas no curso.
Uma trajetória construída em rede
Uma das características mais marcantes da Formação TOP é sua capacidade de reunir diferentes instituições e profissionais em torno de uma mesma proposta.
Desde a primeira oferta, a trajetória do projeto é resultado da articulação entre o Ministério da Saúde, instituições de ensino e pesquisa, universidades, Escolas Técnicas do SUS, gestores estaduais e municipais, oficinas ortopédicas, serviços especializados e profissionais que atuam diretamente na rede de cuidado.
No TOP II, essa articulação envolve, entre outras instituições parceiras, o Ministério da Saúde, a Universidade Federal Fluminense (UFF), governos e instituições estaduais vinculadas à formação e à saúde, além das estruturas locais responsáveis pela realização das atividades.
Essa rede permite que uma proposta de alcance nacional dialogue com diferentes realidades regionais sem perder seus princípios comuns.
Cada território possui características, estruturas, desafios e experiências próprias. O projeto busca justamente transformar essa diversidade em parte do processo formativo, aproximando o conhecimento produzido da realidade dos serviços e das necessidades da população.
A terceira oferta: novos estados entram no percurso
A trajetória da Formação TOP ganhará uma nova etapa com a preparação da terceira oferta, que terá início em novembro de 2026, no estado do Piauí. A nova edição prevê 20 vagas para profissionais, dando continuidade ao trabalho de qualificação técnica e ao fortalecimento da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência no Sistema Único de Saúde (SUS).
Nos estados de Mato Grosso do Sul e Ceará, os trabalhos preparatórios continuam em andamento, com as equipes envolvidas na fase de adequação necessária à implantação da formação. Essa etapa busca considerar as especificidades de cada território, as estruturas disponíveis e as condições locais para a realização do curso, de modo a favorecer a organização das atividades formativas e a articulação com os serviços de saúde.
A preparação da terceira oferta representa mais um passo na ampliação do alcance nacional da Formação TOP, que busca qualificar profissionais para atuar na área de órteses e próteses e contribuir para o fortalecimento da atenção à Pessoa com Deficiência no SUS.
Formação que impacta o cuidado
A necessidade de formação especializada na área de órteses e próteses está diretamente relacionada à qualidade da assistência prestada às Pessoas com Deficiência.
O trabalho realizado nas oficinas ortopédicas exige conhecimentos técnicos específicos, mas também a capacidade de compreender as necessidades de cada usuário e de atuar em articulação com diferentes profissionais e serviços.
Uma órtese ou uma prótese não pode ser compreendida apenas como um produto. Ela faz parte de um processo de cuidado que envolve avaliação, indicação, produção, adaptação e acompanhamento e que pode contribuir diretamente para a autonomia, a participação social e a qualidade de vida de uma pessoa.
É nesse ponto que a Formação TOP encontra sua principal razão de ser.
O projeto busca formar profissionais capazes de compreender seu trabalho dentro da rede de cuidado, reconhecendo que o conhecimento técnico precisa estar conectado à realidade dos usuários, dos territórios e do SUS.
Uma história que continua
Da construção da primeira Formação TOP à consolidação da segunda oferta e à preparação de uma terceira etapa, o projeto vem construindo uma trajetória marcada pela continuidade, pela articulação em rede e pelo aprendizado acumulado ao longo dos territórios.
A primeira oferta mostrou que era possível reunir Escolas Técnicas do SUS, oficinas ortopédicas, serviços e profissionais em torno de uma proposta nacional de formação. O TOP II amplia essa experiência e incorpora novas estratégias de aprendizagem e integração territorial. A terceira oferta, por sua vez, aponta para a continuidade desse movimento em novos estados brasileiros.
Cada nova oferta incorpora aprendizados das experiências anteriores. Cada estado acrescenta novas realidades ao percurso. Cada profissional formado amplia o conjunto de trabalhadores qualificados para atuar na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência. Com a terceira oferta, esse alcance deverá crescer novamente. A história da Formação Técnica em Órteses e Próteses segue, portanto, em movimento.
É uma história construída por instituições, trabalhadores, estudantes e serviços. Uma trajetória que atravessa diferentes regiões do país e que tem, no centro, um compromisso comum: fortalecer o SUS e qualificar o cuidado oferecido às Pessoas com Deficiência.
A terceira oferta ainda está em fase de planejamento, mas já representa mais um capítulo dessa história. E, como nas etapas anteriores, será construída coletivamente, respeitando os territórios e transformando experiências locais em conhecimento compartilhado.
Do primeiro Curso TOP à terceira oferta, a trajetória da Formação Técnica em Órteses e Próteses revela que formar profissionais é também fortalecer redes, produzir conhecimento e ampliar as possibilidades de cuidado no SUS.



