Projeto da UFRJ ajuda o processo de escolhas
Por Maria Eduarda Chagas
Que profissão seguir? Que caminho escolher? Fazer pedagogia, medicina ou direito? Esse tipo de pergunta passa pela cabeça de todo jovem que termina o ensino médio. A partir de uma demanda do Pré-Vestibular Comunitário do Caju, em 2006, o professor do Instituto de Psicologia da UFRJ Pedro Paulo Bicalho deu início à pesquisa-intervenção Construindo um processo de escolhas mesmo quando ‘escolher’ não é um verbo disponível.
O projeto tem como objetivo auxiliar os participantes nesse momento de incertezas, mas vai além da análise vocacional feita a partir da batelada de testes que se vê por aí. “A ideia é se colocar diante das nossas escolhas e pensar que critérios a gente usa nesse processo”, explica Ana Chacel, estagiária da pesquisa-intervenção desde 2009.

Em uma média de 10 encontros, os participantes dos grupos obtêm elementos para se conhecerem melhor e, assim, fazerem suas escolhas com mais segurança e propriedade. Natalia Costa, participante do grupo da comunidade de Vila do João, no Complexo da Maré, esclarece que a cada semana ela percebe alguma coisa que nunca tinha reparado. “O trabalho ajuda a crescer como pessoa”, acrescenta.

Com grupos atualmente na Divisão de Psicologia Aplicada da UFRJ, no Colégio Pedro II (unidade de Niterói) e em três comunidades do Complexo da Maré, o projeto é também uma forma de promover a inclusão social. Pedro Paulo Bicalho, coordenador da pesquisa-intervenção, destaca que, muitas vezes, o trabalho incentiva os participantes a permanecerem no pré-vestibular e mostra que esses jovens têm, sim, escolhas. “A gente acha que, de um modo geral, quem vive nas favelas não precisa ir às universidades, mas não há uma incompatibilidade entre a favela e a universidade”, afirma.
Normalmente, novos grupos são iniciados em março e agosto. Para mais informações, entrar em contato com a DPA da UFRJ.

