Acessibilidade continua como problema mesmo nos campi mais novos da UFF
Por Luiza Leite Ferreira
Não é difícil tropeçar em um paralelepípedo do campus do Gragoatá e levar um tombo. Bem mais difícil é ter que subir cinco andares de escada num dia em que os elevadores não funcionam. Impossível, se você usa uma cadeira de rodas para se locomover. Os percalços são consequências das obras iniciadas em 2011, e ainda sem previsão de término, no campus mais movimentado da Universidade Federal Fluminense. Apesar de melhorar os acessos aos prédios de salas de aulas, restaurantes universitários e à biblioteca, criando calçadas de concreto liso, faixas de pedestre, e caminhos com piso podotátil – que auxilia a locomoção de pessoas com deficiência visual, estas obras poderiam ter sido realizadas na construção do campus, um dos mais novos da universidade, erguido no início da década de 1990, quando já havia uma grande preocupação social com a acessibilidade.

Piso podotátil em frente aos elevadores do Bloco A que não funcionam.
A professora da área de Educação Especial, Cristina Delou, não ignora os esforços que estão sendo feitos na acessibilidade. Mas clama para que medidas sejam tomadas na estrutura interna de todos os prédios. “Aqui na Faculdade de Educação foi instalado um elevador novo, todo acessível, com indicações dos botões em braile e voz para indicar o andar. Mas a maioria dos elevadores do campus não possui este recurso, e pior, os botões não estão ao alcance de pessoas em cadeiras de roda.”, conclui Delou, lembrando que os prédios da UFF, quando em sua concepção, nunca foram pensados para serem acessíveis, e por isso agora a dificuldade para fazer mudanças na estrutura.
Os banheiros acessíveis também são escassos. Apenas dois (um masculino e um feminino) por prédio, sendo que muitas vezes eles se encontram no quarto ou no quinto andar. Em dias de elevador parado, o cadeirante não pode nem assistir à aula, nem ir ao banheiro.
Em Niterói, o Campus do Valonguinho e o da Praia Vermelha são os próximos da lista de reformas e adaptações para melhorar a acessibilidade. Já nas unidades isoladas, em sua maioria prédios e casarões antigos localizados em diversos locais da cidade de Niterói, não há previsão de melhorias. Em alguns deles, como as faculdades de Direito, Economia, Veterinária e Farmácia, há rampas e plataformas, mas poucos banheiros acessíveis. Já a Escola de Arquitetura e o Instituto de Artes e Comunicação Social (IACS) estão entre os mais inacessíveis. No interior do estado do Rio, o recém-construído pólo de Volta Redonda é o único inteiramente acessível, enquanto os de Cachoeira de Macacu e Iguaba, ambos no estado, não o são. Oriximiná, campus avançado da UFF localizado no Pará, possui construções antigas também não adaptadas.

Elevador que desde a inauguração do Bloco A, esteve sempre interditado.
O Núcleo de Acessibilidade e Inclusão Sensibiliza (NAIS) planeja para 2012, entre vários projetos, a criação de uma Comissão Permanente de Acessibilidade, com a função de analisar, incentivar, fiscalizar e promover a acessibilidade em todas as dependências da UFF. O núcleo, cuja coordenação agora está a cargo de Lucília Machado, deficiente física, prevê ainda um censo dos estudantes, professores e funcionários com necessidades especiais, e a continuidade das obras, para eliminar de vez as barreiras arquitetônicas e facilitar a circulação e integração de todos na universidade.

