Como pensar a questão racial no Brasil?
Por Maria Eduarda Chagas
O Supremo Tribunal Federal votou, no dia 26 de abril, pela constitucionalidade do sistema de cotas raciais ( http://glo.bo/IfnWYG) adotado como um dos critérios de seleção de alunos para universidades que optam pela alternativa. A Universidade Federal Fluminense (UFF) é uma delas. Para Márcia Pessanha, coordenadora do Programa de Educação sobre o Negro na Sociedade Brasileira (Penesb), no entanto, a questão polêmica merece ser aprofundada em debates com a sociedade, ao invés de ficar somente no âmbito da justiça.

Márcia Pessanha, coordenadora do PENESB
Criado em 1995 e vinculado à Faculdade de Educação da UFF, o programa oferece cursos de extensão e orienta pesquisas sobre a temática étnico-racial. Márcia esclarece que o Penesb tem como principal objetivo avaliar a situação do negro na sociedade brasileira e apontar formas de inclusão.
Para pensar sobre a inclusão do negro na universidade, o PENESB desenvolve atualmente uma pesquisa sobre o Acesso aos cursos de graduação da UFF com enfoque na questão racial: análise de dados. A proposta é fazer um mapeamento para ver o percentual de negros que não foram classificados no vestibular e ver por que cursos eles se interessam mais. “Pedagogia e Serviço Social, por exemplo, têm mais negros. Já Medicina e Odontologia, menos”, explica Márcia. A ideia, então, seria pensar nas cotas de acordo com a demanda de cada curso e propor alternativas.
Para além da questão das cotas, o Penesb pretende promover a inclusão do negro principalmente através dos cursos de extensão, voltados para professores do ensino básico. O curso surgiu para atender às diretrizes da Lei 10.639, de 2003, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas. Luciano de Souza Cruz, mestrando em educação que trabalhano projeto, esclarece que os professores concluem o curso mais preparados para tratar da questão racial em sala de aula. “O curso se dirige a esses profissionais porque eles são os formadores de opinião que lidam diariamente com jovens e adolescentes”, afirma.

Luciano de Souza Cruz
Neste ano, o Penesb oferecerá o curso nas cidades fluminenses de Três Rios, Angra dos Reis, Rio Bonito, Iguaba e São Gonçalo. As aulas estão previstas para começar entre os meses de julho e setembro e têm duração de sete meses.

