Inclusão na Universidade

ENEM não mudará políticas inclusivas da UFF

Por Elena Wesley e João Filipe Passos

Candidatos fazem primeira fase do último vestibular da UFF (Foto: Arquivo UFF)

Candidatos fazem primeira fase do último vestibular da UFF (Foto: Arquivo UFF)

A troca do vestibular tradicional pelo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como processo seletivo para ingresso na Universidade Federal Fluminense não vai mudar as políticas afirmativas adotadas pela UFF. No ano que vem, a universidade vai manter a bonificação de 20% na pontuação dos candidatos egressos de escolas públicas.

De acordo com o Coordenador Geral da Coseac (Coordenação de Seleção Acadêmica), professor Néliton Ventura, a UFF não vai lançar políticas de cotas raciais ou sociais por ter adotado uma política de ação afirmativa baseada na inclusão social aliada ao esforço do candidato. “O desejável é que essa bonificação no futuro não seja mais necessária, pela imprescindível melhoria do ensino público fundamental e médio. Entretanto, se até lá forem necessários ajustes, esses serão feitos”, explicou Ventura.

Desde 2007, a UFF bonifica os estudantes vindos de escolas públicas estaduais e municipais na nota final do vestibular. Até o ano passado, este bônus era de 10% e este ano passou a ser de 20%. Para dois alunos do curso de Comunicação Social, esse aumento na nota foi essencial para a aprovação.

“Se não fosse por essa ‘compensação’ eu não teria conseguido passar para a UFF”, afirma Felipe Rodrigues. Segundo ele, os estudos na Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch foram muito inferiores. “No terceiro ano não tive História nem Biologia, não tive Química no primeiro ano, e assim vai”. A também caloura Jéssica Rocha concorda que o bônus seja fundamental para os estudantes de escolas públicas. “Decidi concorrer por esse sistema, pois sem ele não alcançaria nota suficiente para ingressar em Comunicação Social. E já que passei a minha vida estudando em escola pública enquanto outros tinham a facilidade de ter uma educação de melhor qualidade em escola particular, achei que era mais que merecido” disse a estudante.

Sistema de cotas

A adoção de cotas é uma questão polêmica, mas na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) parece estar tendo bons resultados. Segundo Vitor Lucena, que fez parte da primeira turma de cotistas, hoje é possivel ver mais diversidade na universidade. “Existe uma Uerj mais negra e mais popular do que em 2003, principalmente nos cursos onde o povo não entrava, como Direito, Medicina, Odontologia. Mas ainda está longe de ser uma universidade democrática racial e socio-economicamente”, explicou o ex-aluno de Direito.

Na Uerj, há oito anos 20% das vagas são reservadas para estudantes egressos da rede pública de ensino, 20% são para candidatos negros e 5% para portadores de deficiências físicas e integrantes de minorias étnicas, todos comprovadamente carentes.

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