Revista ContraCultura
Nº. 02 Abril de 2008 - ISSN 1982-9175
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A Revista ContraCultura chega à segunda edição. Mais uma vez, como fruto de um trabalho coletivo e militante, com o objetivo de reunir reflexões críticas sobre questões relativas à cultura. Nosso tema, desta vez, é a cultura de massas, sobretudo a música popular.

Jesús Martin-Barbero afirma que o desafio para o estudo da cultura de massas que se situa numa perspectiva contra-hegemônica é “mudar o lugar das perguntas para tornar investigáveis os processos de constituição do massivo para além da chantagem culturalista que os converte inevitavelmente em processos de degradação cultural. E para isso, investigá-los a partir das mediações e dos sujeitos, isto é, a partir das articulações entre práticas de comunicação e movimentos sociais.”

Com isso, Barbero busca escapar de uma visão elitista e apocalíptica da cultura de massas, sem, no entanto, se apoiar numa ótica integrada que é cega para as desigualdades sociais e culturais, para o processo de alienação inerente ao capitalismo e para a centralidade da luta de classes na análise da cultura.

Muitas vezes, mesmo entre militantes de esquerda, predomina um preconceito de classe, já que a formação do gosto é também permeada pela desigualdade social, que rejeita o gosto popular e rotula a cultura de massas como lixo cultural que deve ser descartado. No entanto, sabemos que gosto se discute e que os padrões estéticos pelos quais classificamos o que é a boa cultura e o que é lixo cultural são constituídos historicamente. Além disso, falar em gosto e consumo cultural é fazer referência, para além das cifras econômicas, a afetos, sensibilidades, memórias coletivas e outros elementos sutis que integram a vida social. Por isso, compreender, analisar e mesmo assumir uma visão empática em relação aos produtos culturais consumidos pelo povo é de fundamental importância para aqueles que se engajam em projetos de transformação radical de nossa sociedade.

Obviamente isso não implica naturalizar ou tornar opaca a mediação do mercado que impõe uma dinâmica ao consumo cultural e coloca limites claros à formação do gosto popular. No entanto, é necessário para o mercado incorporar, ainda que de forma distorcida e controlada, elementos estruturantes da cultura popular, pois é exatamente isso que permite a difusão das mercadorias culturais produzidas na sua lógica. Esse processo é pleno de contradições que temos a obrigação de reconhecer e explorar, assumindo as potencialidades comunicativas que elas oferecem na elaboração de um projeto político contra-hegemônico.

Não foi à toa que escolhemos para ilustrar esta edição o Che Guevara pintado por Andy Warhol. Em repetição, como mercadoria e imagem a ser vendida, à primeira vista nos parece que a incorporação mercantil do Che esvazia de sentido a luta que ele representa. Porém, outra interpretação é possível. Pensando com Barbero, podemos arriscar dizer que se o Che está ali, tornado mercadoria pela pop art, é porque seus herdeiros o impuseram à dinâmica da história, a despeito dos interesses da classe dominante. Mediações que tornaram o Che imortalizado, e multiplicado, figura onipresente no mundo contemporâneo, a nos lembrar da necessidade da rebeldia e da possibilidade real da construção de um outro mundo.
Boa leitura e bons combates!

A equipe editorial

 
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