Histórico:

A implementação dos estudos pós-graduados na área de Ciências Sociais na UFF correspondeu a um primeiro investimento posto em prática por professores vinculados às subáreas de Antropologia e Ciência Política, em 1994. Este empenho equivaleu ao resultado de experiências coletivas por algumas décadas, em que os profissionais e alunos ligados a estas disciplinas tiveram uma atuação destacada, tanto no plano nacional como no internacional.

Inicialmente, esses interesses comuns convergiram para a constituição de um Programa de Pós-Graduação, que visava dar consistência e sistematicidade a uma série de atividades comuns dos respectivos professores, evidenciadas tanto na produção bibliográfica, como em organização de mesas redondas em diversos eventos e ainda nas trajetórias dos alunos que, nesse quadro, se formavam.

A maneira pela qual ele foi estruturado, embora demonstrasse a preocupação com o estabelecimento de interfaces entre a Antropologia e a Ciência Política, não redundou em curso interdisciplinar, mas na reafirmação do interesse e da experiência no diálogo entre perspectivas teóricas e metodológicas diferenciadas e aproximáveis. Estas perspectivas foram, então, sistematizadas e especialmente mantidas pela estruturação de algumas linhas de pesquisa e, até o ano de 2003, pela incorporação de uma disciplina de domínio conexo no currículo de ambos os cursos de mestrado. Portanto, a ênfase da proposta fora uma estrutura de pós-graduação disciplinar, resguardando o espaço de construção de um debate teórico-metodológico entre antropólogos e cientistas políticos. A integração entre alunos e professores em áreas comuns de interesse, reflexão e pesquisa, também se expressara e se expressa nas temáticas de algumas dissertações em que os autores dialogam através de questões pertinentes às duas disciplinas, comumente examinadas por bancas compostas por pesquisadores de Antropologia e de Ciência Política, tanto da UFF como de outras instituições acadêmicas.

O diálogo dos profissionais das duas disciplinas, mas também entre aqueles que optam por temáticas também caras não só a estas disciplinas, expressava uma das especificidades mais marcantes do PPGACP e dos diversos cursos afiliados. As interfaces que orientam a construção de temáticas configuravam-se, por um lado, para atender a uma demanda existente na região por formação acadêmica de pesquisadores e professores universitários nas áreas de Antropologia e Ciência Política, mas também em especializações de outros tantos campos de saber (História, Medicina, Psicologia, Direito, Administração, para citar as mais flagrantes). E, por outro lado, atender a uma outra demanda de profissionais que ainda buscam a academia - em nível de mestrado e doutorado - para uma reflexão mais elaborada acerca da sua prática no serviço público, em organizações não-governamentais ou empresas privadas.

Até 2003, o Programa comportava, então, dois cursos disciplinares: mestrado em Antropologia e Ciência Política, ambos criados em 1994; e doutorado em Antropologia, criado em 2002. A dinâmica diferenciada dos desdobramentos em cada curso levou os professores, durante todo o ano de 2003, a amadurecerem o debate e valorizarem o reconhecimento de outras interfaces, além daquela entre Antropologia e Ciência Política. Esta ênfase terminava por diminuir a visibilidade das outras experiências interdisciplinares e mesmo disciplinares, que se consolidavam em tantas outras linhas de pesquisa e produção acadêmica. Por isso, nesse ano, os membros do colegiado do PPGACP decidiram minimizar as ligações formalmente institucionalizadas, até mesmo porque já bastante consolidadas, e adotar o procedimento também então conquistado por outros grupos de pesquisa, como demonstra a criação de mais dois núcleos de pesquisa, mais à frente comentada. Os cursos foram, a partir de 2003, subdivididos em Programa de Pós-Graduação em Antropologia e Programa de Pós-Graduação em Ciência Política.

Cada curso se estrutura por coordenação própria e organiza o respectivo exame de seleção. Os alunos gozam de autonomia para realizar as aproximações desejadas nas disciplinas optativas.

As coordenações dos respectivos programas asseguram a continuidade de instrumentos de consolidação da interdisciplinaridade, inicialmente valorizada, qual seja a elaboração comum da Revista Antropolítica (com 15 volumes publicados até 2003), com conselho editorial composto de dois professores de antropologia e dois de ciência política; e da Coleção Antropologia e Ciência Política (com 33 volumes lançados até 2003). Também foram mantidas algumas das linhas interdisciplinares e a sistematicidade de diálogos através de eventos que venham a tornar pública a reflexão acumulada ou demandada. Duas vezes por ano; os professores dos respectivos colegiados se reúnem para programar e avaliar as atividades conjuntas.

Entre 1994 e dezembro de 2003, o PPGACP admitiu 186 alunos. A partir de 1997, data da primeira dissertação de mestrado defendida, e até dezembro de 2003, formaram-se 56 mestres em Antropologia e 41 em Ciência Política. A qualidade da produção bibliográfica elaborada no quadro social da orientação das dissertações vem sendo reconhecida em edições de livros e artigos; em participação em eventos nacionais e internacionais; e nas expressivas relações institucionais internacionais que vêm sendo estabelecidas. E muitas dessas dissertações, segundo avaliação da banca examinadora, vêm sendo indicadas para publicação, não só, mas também na Coleção Antropologia e Ciência Política, editada pela EDUFF.

Apresentação:
O Programa de Pós-Graduação em Antropologia compõe-se de dois cursos: Mestrado em Antropologia (criado em 1994) e Doutorado em Antropologia (criado em 2002). O colegiado do Programa está assim composto:

Delma Pessanha Neves - Doutora, UFRJ (Coordenadora Acadêmica)

Eliane Cantarino O'Dwyer - Doutora UFRJ (Coordenadora do PPGACP e do PPGA)

Gláucia Oliveira da Silva - Doutora, USP Jair de Souza Ramos, Doutor, UFRJ

José Sávio Leopoldi - Doutor, USP

Laura Graziela Figueiredo Fernandes Gomes - Doutora, UFRJ

Livia Martins Pinheiro Neves - Doutora, UFRJ

Lygia Baptista Pereira Segala Pauletto Beraba - Doutora, UFRJ

Marco Antonio da Silva Mello - Doutor, USP

Marcos Otávio Bezerra - Doutor, UFRJ Mércio Pereira Gomes, Doutor, University of Florida, EUA

Ovídio Abreu - Doutor, PUC/RJPaulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto, Doutor, Boston University

Roberto Kant de Lima - Doutor, Universidade de Harvard, EUA

Simoni Lahud Guedes - Doutora, UFRJ

Sylvia Schiavo - Doutora, CPDA/UFRJ

Tania Stolze Lima - Doutora, UFRJ

NÚCLEOS DE PESQUISA

Os núcleos de pesquisa são de composição interinstitucional, com maioria de afiliações de professores e alunos do PPGA.

NUFEP - Núcleo Fluminense de Estudos e Pesquisas

O Núcleo Fluminense de Estudos e Pesquisas, NUFEP, coordenado pelo professor titular Dr. Roberto Kant de Lima, reúne diversos pesquisadores, a maioria do PPGA, agregados em torno de cursos especiais e pesquisas temáticas. Localiza-se na sala 205, do bloco O. Dispõe de estantes para livros, mesa de reuniões e aulas, computador e outros equipamentos.

NEOM - Núcleo de Estudos do Oriente Médio

O NEOM - Núcleo de Estudos do Oriente Médio foi criado pelos seguintes professores (coordenadores): Dr. Paul Edouard Amar (PPGCP, UFF), Dr. Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto (PPGA, UFF) e Dra. Ella Shohat (Middle East Studies, NYU). Tem por objetivo criar uma estrutura acadêmica que possa atender à crescente demanda de informação e análises sobre temas ligados a esta região e às comunidades diaspóricas, de populações originárias ou ligadas a esta região. Além da importância política e social do tema, a criação de uma massa crítica de saberes sobre o Oriente Médio e suas diásporas traz novos horizontes comparativos e novas áreas de diálogo teórico para as ciências sociais no Brasil.

NEMO - Núcleo de Estudos sobre Modernidade

O NEMO foi criado pelos seguintes professores (coordenadores): Dra. Livia Martins Pinheiro Neves (GAP/PPGA, UFF), Dra. Laura Graziela Gomes (GAP/PPGA, UFF) e Dr. Colin Campbell (Universidade de York). Tem por objetivo criar uma estrutura acadêmica que viabilize recursos para o desenvolvimento de projetos de professores e alunos interessados no tema da "modernidade". Nestes termos, os pesquisadores valorizam a perspectiva comparada, multidisciplinar, com especial interesse para os estudos na área do consumo, bem como as questões referentes às "sociedades de consumo".

Organização dos Cursos

Os cursos se consolidam pela oferta de três disciplinas obrigatórias e um elenco de disciplinas optativas, que representam os desdobramentos do trabalho coletivo, de professores e alunos, na eleição de temáticas de pesquisa e reflexão. Em face desta dinâmica, as disciplinas optativas foram ampliadas em 2003, isto é, a partir da criação do Programa de Pós-Graduação em Antropologia. As disciplinas visam não só abarcar os diferenciados interesses dos professores, como assegurar formação básica consolidada, no que diz respeito ao padrão coletivamente considerado para o reconhecimento profissional do antropólogo. Elas são oferecidas conforme avaliação do Colegiado, no que tange à abrangência de origens disciplinares diversas dos alunos, no decorrer da graduação e mesmo do mestrado.


 


 

 


 
 
   
 
   
Coordenadora: Simoni Lahud Guedes
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